Curitiba - A Receita Federal (RF) e a Polícia Federal (PF) estão investigando o sumiço de contêineres no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). Já sumiram cerca de 32 contêineres, sendo que um deles foi enviado para fora do País sem passar pela Receita Federal e outros 31 contêineres com carga importada, simplesmente desapareceram. O desaparecimento de contêineres no TCP, que é controlado pela iniciativa privada, também está sendo alvo de investigação da CPI da Pirataria, em andamento na Câmara Federal.
O delegado substituto da RF em Paranaguá, Carlos Alberto Kletemberg, confirmou o desaparecimento dos contêineres, e disse que recebeu denúncias de importadores que não teriam recebido as cargas compradas no exterior. Entre as cargas estariam produtos de informática. Segundo Kletemberg, a Receita está atenta às denúncias e está investigando em conjunto com a PF.
O superintendente do TCP, Mauro Marder, diz que empresa está sendo vítima de uma quadrilha especializada em roubo de cargas, que também já roubou carga do terminal público do Porto de Paranaguá. O empresário disse que existe uma quadrilha organizada de roubo de contêineres que vem agindo nos últimos dois anos nos portos de Paranaguá e Santos. E que o próprio TCP quando percebeu os roubos de carga, pediu a abertura de inquérito no Ministério Público Federal (MPF) para apuração do caso.
Marder informou que em decorrência dessa denúncia foram instaurados 12 processos na Justiça Federal de Paranaguá, para apuração dos roubos. A maior parte dos contêineres saiu dos terminais do TCP com despachos de trânsito aduaneiro falsificados, com pedido de remoção para estações aduaneiras do Interior.
Segundo Marder, a quadrilha age com conhecimento dos trâmites legais das operações aduaneiras e informações privilegiadas. Inclusive há indícios de que alguns importadores fazem parte do esquema, para não pagarem impostos. Isso porque a maior parte das cargas desaparecidas são consideradas ''cargas de perdimento'', ou seja aquelas que ficam por mais de 90 dias nos terminais sem serem reclamadas pelo importador. Após esse período, as cargas não podem ser mais internacionalizadas e têm que ser leiloadas. Com documentos falsos, essas cargas saem dos terminais e, na maioria das vezes, são entregues ao importador, que paga bem menos do que os impostos normais da operação.
Marder acusou a superintendência do Porto de Paranaguá de aumentar a vulnerabilidade do terminal de contêineres porque retirou a guarda portuária do local. O superintendente Eduardo Requião diz que o TCP tem envolvimento no sumiço das cargas. Marder rebate e diz que a empresa está sendo ''vítima de perseguição política''. O TCP está operando com serviço de segurança próprio e vem pagando todos os impostos das cargas desaparecidas, que não deixam de ser cobrados pela Receita, afirmou. Quanto às cargas reclamadas por dois importadores, eles foram indenizados pela seguradora contratada pela empresa.

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