Brasília, 11 (AE) - O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, deverá divulgar amanhã um novo estudo, detalhando os reflexos do acordo emergencial entre governo e montadoras na arrecadação federal. Ele não quis antecipar as conclusões, mas lembrou que, do ponto de vista da Receita, esse tipo de acordo só diminui a arrecadação. O secretário não aceita a argumentação feita pelo secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Hélio Mattar, de que é necessário levar em consideração os efeitos na arrecadação de toda a cadeia produtiva e que, dessa forma, o acordo teria trazido ganhos tributários. "Isso é uma falácia", fuzilou.
Os dados mais recentes disponíveis na Receita mostram que a arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) recolhido pelas montadoras caiu 57,10% em março, na comparação com março de 98, quando tal acordo não estava em vigor. Os números de abril serão divulgados amanhã, e deverão mostrar queda. "Se a preocupação for emprego, então a discussão é outra; mas, com relação à arrecadação, não há dúvida de que ela cai", afirmou Everardo.
Já os cálculos de Hélio Mattar, o principal articulador do acordo, mostram que os ganhos tributários foram da ordem de 25%, se considerada toda a cadeia produtiva. Os números, segundo informou, foram levantados pela indústria, mas os sindicalistas teriam trazido cálculos praticamente idênticos.
Everardo sempre se posicionou contrário ao acordo. No entanto, a assinatura do ministro da Fazenda, Pedro Malan, constou de um decreto publicado por engano na última sexta-feira
que prorrogava o benefício fiscal para as montadoras do dia 17 de maio para até o dia 26 de maio.

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