Receita destrói 246 mil CDs piratas em Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu, PR, 29 (AE) - A Receita Federal e a Associação Protetora de Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF) realizaram hoje, em Foz do Iguaçu, a maior destruição de CDs piratas já realizada no Brasil - 246 mil unidades. O cantor Netinho, líder do grupo de pagode Negritude Júnior; Reinaldo Nascimento, vocalista do grupo de música baiana Terra Samba - artistas sensivelmente prejudicados pela pirataria - e Zeca Baleiro, compositor e cantor maranhense, participaram da operação, que se transformou em um ato contra a falsificação. Apenas o Negritude Júnior tinha 250 mil unidades entre os CDs destruídos hoje.
O material foi apreendido pela Receita na fronteira Brasil-Paraguai, a principal porta de entrada dessa mercadoria no País. "Metade dos Cds piratas vendidos no Brasil entram pela fronteira com Ciudad del Este (cidade paraguaia separada de Foz do Iguaçú apenas pelo rio Paraná)", afirmou o advogado Marcio Gonçalves, secretário-executivo da APDIF.
De acordo com Gonçalves, a venda de CDs falsificados aumentou 1000% entre os anos de 1997 e 98 - passou de 3 milhões de unidades para 30 milhões. Isso significa que 30% dos CDs vendidos no Brasil no ano passado eram pirateados. O prejuízo da indústria fotográfica chegou a US$ 500 milhões.
Enquanto um disco original é vendido em lojas por uma média de R$ 20,00, camelôs oferecem o mesmo produto - falsificado - por até R$ 3,00. De acordo com a APDIF, a falsificação não ocorre no Brasil, mas em países do sudeste asiático. O custo de produção por unidade nesses países é de aproximadamente US$ 0,50 (cerca de R$ 0,90). Sexto maior mercado mundial de discos, o Brasil é o segundo no consumo da pirataria. Perde apenas para a Rússia.
Dos 246 mil CDs destruídos hoje, 206.350 foram recolhidos na maior apreensão do gênero já realizada no Brasil, ocorrida em dezembro de 97, no Aeroporto de Foz do Iguaçú. O restante é a soma de outras apreensões isoladas, também na fronteira. O material foi esmagado por um rolo compressor, Roberto Lima Souto, secretário-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), disse que a ação desenvolvida pela Receita Federal no Paraná é "exemplar e deveria ser copiada por outros Estados".
A ABDIF está programando ações semelhantes às de hoje em outras cidades brasileiras. Também fará uma grande campanha publicitária contra a pirataria no segundo semestre deste ano. Segundo o cantor Netinho, muitos artistas falarão sobre o problema em seus shows, para tentar convencer os fãs a só comprar produtos originais.





