Brasília, 26 (AE) - A receita da privatização das geradoras federais de energia continuará sendo destinada ao pagamento da dívida pública. A informação foi dada hoje pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, que participou de reuniões nos dois últimos dias no Palácio do Planalto para tratar da transferência do comando da venda do setor elétrico federal do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Ministério de Minas e Energia.
"Na questão do dinheiro, não há nenhuma modificação em relação ao que era no passado", disse Tourinho. Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, admitiu que, com as mudanças na condução da privatização, parte dos recursos arrecadados poderia não ser usada integralmente para pagamento da dívida, como ocorreu nos últimos anos. Esta semana, a equipe econômica, que é contra essa possibilidade, conseguiu evitá-la.
Na terça-feira, Tourinho reuniu-se por mais de duas horas com os ministros Pedro Malan (Fazenda), Pedro Parente (Casa Civil) e Tápias. Reforçaram os argumentos da equipe econômica o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo. Também participaram da reunião os presidentes do BNDES, Andrea Calabi, e da Eletrobrás, Firmino Sampaio.
Hoje, Tourinho reuniu-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso e as mudanças nos rumos da privatização fizeram parte da conversa. Segundo o ministro, nenhum detalhe está fechado. "Essa decisão vai ser tomada pelo Presidente da República." Segundo uma autoridade ligada à presidência da República, já está certo que nos próximos dias será publicado um decreto presidencial comunicando que caberá ao Ministério de Minas e Energia a preparação da venda das empresas federais de energia.
"A idéia seria transferir para o Ministério a responsabilidade final pelo processo de privatização das elétricas federais", disse Tourinho. Segundo ele, com uma coordenação única a venda das elétricas pode ser mais ágil. "O assunto era tão próprio do Ministério de Minas e Energia que é melhor que fique aqui", afirmou Tourinho.
Ele ressaltou que a meta ainda é vender este ano as geradoras Chesf, Furnas e Eletronorte, mas ainda não há um cronograma preparado.

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