Brasília, 5 (AE) - O governo cortou pela metade sua estimativa de receitas com privatizações neste ano, recuando de R$ 27,836 bilhões para R$ 13,211 bilhões. O corte de 52,5% foi elaborado por ocasião da segunda revisão do acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Por causa dessa frustração de receitas, o governo abaterá menos dívida pública. A estimativa anterior era que a dívida terminaria o ano em valor equivalente a 49,3% do PIB. Na projeção divulgada hoje, a dívida líquida do setor público chegará a dezembro valendo 51% do PIB.
"Não quer dizer que o governo abrirá mão dessas receitas", afirmou hoje o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. "Essas privatizações ocorrerão, mas não neste ano-calendário."
Segundo o secretário, ficaram atrasadas as privatizações de parte do setor elétrico e a venda de ações da Petrobrás. Ele afirmou ainda que o governo conta com a venda de Furnas e do Banespa ainda este ano.
Bier não detalhou quais empresas estavam previstas para ser vendidas ainda este ano e não mais o serão, nem a razão pelas quais as estatais foram excluídas das estimativas. Bier explicou que o processo de preparação para a privatização dessas empresas sofreu atraso. "Mas o governo não abre mão dessas privatizações", frisou.
No Memorando de Política Econômica divulgado hoje por Bier, está dito apenas que haverá "adiamento para o início do ano 2000 de algumas privatizações originalmente previstas para o último trimestre de 1999."
Esqueletos - Também foi revisto para baixo o valor de "reconhecimento de esqueletos", ou seja, a explicitação de dívidas do governo que não estavam contabilizadas. Inicialmente, estavam estimados R$ 23,339 bilhões. Nessa nova versão do acordo
as dívidas explicitadas ficaram em R$ 19,579 bilhões. Bier informou que o corte nas estimativas deveu-se a atraso no reconhecimento de dívidas do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS).
Segundo Bier, a estimativa de reconhecimento de esqueletos foi revista porque o governo não queria correr o risco de assumir dívidas que não são líquidas e certas.

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