Receita da American Express com travelers cai 30%
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quinta-feira, 12 de agosto de 1999
Por Simone Azevedo 
Nova York, 13 (AE) - A American Express registrou uma queda de 30% nas receitas com travalers cheques no Brasil após a desvalorizacao do real. O vice-presidente da área de travelers cheques para a América Latina, Eduardo Pizarro, disse à AGÊNCIA ESTADO que a reducão das viagens internacionais depois da alta do dólar foi a principal responsável pela queda no faturamento.
A América Latina representa 10% das receitas da companhia com travelers. Os principais mercados na região são o México, Brasil, Venezuela e Argentina. Em 1998, as vendas com travelers cheques da American Express foram reduzidas de US$ 25 bilhões para US$ 24 bilhões. A companhia afirma que, apesar da queda nas receitas, ganhou participacão de mercado na industria global.
Segundo Pizzaro, o faturamento total da companhia com travelers atualmente supera US$ 26 bilhões. A American Express afirma que, apesar do crescimento na sua participacão no mercado global, os travelers cheques não representam um potencial elevado de crescimento para a empresa.
Sua estratégia para esse segmento será concentrar-se no controle de despesas e aproveitar as vantagens proporcionadas pelo Banco American Express a fim de desenvolver iniciativas de marketing e vendas.
Inadimplência - Segundo o presidente da área internacional de servicos relacionados a viagens, James Cracchiolo, a companhia vem apresentando um aumento no volume de perdas por pagamentos não realizados desde o início deste ano em razão da retracão econômica no Brasil e Argentina. Mas Cracchiolo acredita que, apesar do impacto negativo, esta melhor posicionado que seus concorrentes em relação à inadimplência.
De acordo com Cracchiolo, a American Express se beneficia por atender a uma faixa de consumidores de maior renda e também por sua estrutura operacional, uma vez que dispõe de instrumentos mais ágeis para a identificacao dos riscos de credito pelo fato de atuar como emissora, processadora e administradora de grande parte dos plásticos em circulacão. Segundo a companhia, a media anual de gastos dos seus clientes é três vezes superior a dos cartões emitidos pela Visa e Mastercard.
Em 1998, a média annual de gastos por cartão American Express foi de US$ 5 mil, ante US$ 1,5 mil das outras duas bandeiras. Cracchiolo pretende atingir, gradualmente, a classe média na América Latina. O principal obstáculo, segundo o executivo, é a obtenção de informações junto as autoridades governamentais para a análise do risco de crédito desses consumidores. Sua estratégia e estabelecer parcerias que possibilitem a sinergia de informações.
Investimentos - A American Express decidiu manter seus projetos de investimentos na América Latina apesar da instabilidade política e econômica na região. "A América Latina é vital para o nosso sucesso no próximo Século", afirmou Cracchiolo. Ele se disse otimista em relação à recuperação da economia brasileira. "Mas não acreditamos que a recuperação virá ainda este ano", afirmou.
Em relação à Argentina, Cracchiolo prevê um ambiente recessivo nos próximos seis a 12 meses. "Não vamos reduzir nossa presenca na região em razão de crises temporais. Estaremos aproveitando este momento para buscar novas oportunidades", acrescentou.
Uma das estratégias da companhia são as parcerias para o lancamento de novos produtos. A American Express tem hoje 16 produtos na América Latina, entre eles os cartões verde, "gold" e platinum, o "blue card" (cartão de crédito rotativo voltado a consumidores jovens), cartões corporativos e co-brand.
No conjunto de estratégias para a América Latina, a American Express pretende aumentar seu grau de aceitação, ampliando a rede de estabelecimentos. A empresa tambem estará expandindo sua área de servicos corporativos e desenvolvendo o segmento de cartões que incluem o crédito rotativo. Além do segmento de cartões de crédito, para empresas e pessoas físicas, a American Express atua como agência de viagens e consultoria financeira.
Negócios - A American Express espera que suas atividades fora dos Estados Unidos representem 50% do lucro da companhia nos próximos anos. Atualmente, os negócios fora dos EUA contribuem com 30% do lucro. Seu objetivo e atingir esse porcentual mantendo o crescimento nos EUA e expandindo suas atividades em 25% a 30% ao ano no resto do mundo.
Mas a companhia admite que essa meta poderá levar mais tempo para ser cumprida do que o esperado inicialmente. A empresa não revelou números mas afirmou que, em 1998, o porcentual de crescimento na América Latina ficou bem abaixo do esperado. A companhia tem cerca de 43 milhões de cartões em circulação, sendo 28 milhões nos Estados Unidos e 15 milhões em outros países.
Do total de US$ 62,4 bilhões movimentados com seus cartões, US$ 46 bilhões são provenientes dos Estados Unidos e o restante de outros países. Em 1998, a American Express introduziu 30 novos produtos de cartão fora dos Estados Unidos. A companhia também conseguiu aumentar sua rede de estabelecimentos. O porcentual de gastos dos usuários dos cartões American Express que podem ser atendidos pela atual rede de estabelecimentos passou de 80% em 1997 para 83% no ano passado.


