Foz do Iguaçu, PR, 10 (AE) - A Receita Federal está construindo um muro de 3,5 metros de altura na cabeceira brasileira da Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, para tentar impedir a ação de contrabandistas, principalmente cigarreiros. A Ponte da Amizade é a principal porta de entrada no País de cigarro contrabandeado. Fabricado no Brasil, o produto é exportado com isenção de impostos. O governo estima um prejuízo anual de cerca de R$ 900 milhões com a evasão fiscal.
Estimativas apontam que 1,5 mil pessoas atuem diariamente na ponte, contrabandeando cigarros. Afetada pela desvalorização do real, que fez o movimento cair em cerca de 90% nas últimas semanas, a atividade já começa a retomar o fôlego. No ano passado, o cigarro respondeu por 60% das apreensões de mercadorias feitas pela Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR), que totalizaram US$ 32,4 milhões (o equivalente a quase R$ 65 milhões pelo câmbio paralelo). A aduana da Ponte da Amizade responde por aproximadamente 40% do total de mercadorias apreendidas pela delegacia.
Apesar do grande volume de apreensões, a maior parte do cigarro que sai de Ciudad del Este (Paraguai) em direção a Foz do Iguaçu cruza a ponte, mas não chega a passar pela aduana. Os cigarreiros costumam jogar fardos com 30 quilos do produto por buracos abertos na grade instalada ao longo da metade brasileira da ponte. A mercadoria é recolhida - na margem ou até mesmo dentro do Rio Paraná - por cúmplices dos cigarreiros.
O objetivo da muralha que está sendo erguida é impedir que cigarreiros e outros contrabandistas pulem a barreira, já na cabeceira da ponte, para fugir da aduana. Mas a própria delegada da Receita em Foz, Maria Angélica Toledo Castro, admite que o problema continuará existindo nos 552 metros da ponte. "Nossa atuação não inclui a ponte em si, que é de responsabilidade do DNER", disse a delegada. Segundo ela, a Receita Federal já promoveu reuniões com o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem para estudar uma atuação conjunta no combate ao contrabando, mas a iniciativa não teve sucesso. De acordo com a delegada, a estrutura da ponte não possibilita a instalação da muralha. Muralha - O muro começou a ser erguido esta semana e deverá ser concluído em 15 dias. Estão sendo instaladas 160 placas de concreto. Segundo a delegada, a obra custará R$ 16 mil, valor dividido entre a Receita Federal e a Itaipu Binacional. No local havia grades de 3,2 metros de altura, que foram derrubadas por um vendaval, em setembro do ano passado.
A Receita Federal também vai instalar três scanners (aparelhos de raio-x) para a detecção de drogas e armas em bagagens que passam pela aduana da Ponte da Amizade, sem precisar abri-las. Outros dois equipamentos desses serão instalados no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.

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