'Recasados' não podem comungar, diz Vaticano
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quinta-feira, 06 de julho de 2000
Agência Folha De São Paulo 
O Vaticano declarou ontem que as pessoas que se divorciam e casam novamente não podem comungar, a não ser que se abstenham de relações sexuais. O documento da Igreja Católica diz que a proibição deriva de uma lei divina e, portanto, nunca poderá ser alterada.
O assunto é um dos mais controversos entre a doutrina oficial da igreja e a posição adotada por religiosos, especialmente em países como Alemanha, Bélgica e EUA. Recentemente, dois bispos belgas desafiaram a igreja abertamente, entregando a comunhão a divorciados recasados.
Verifica-se a tendência, entre bispos e padres, de manifestar uma certa compreensão pastoral com os divorciados que contraem novo matrimônio.
O documento reconhece que o escândalo da comunhão para recasados existe, embora esse comportamento, infelizmente, não cause mais surpresa.
Essa forma de puritanismo de princípios não leva a nada. Só serve para aumentar a crise da Igreja Católica com seus fiéis e afastá-los da religião, muito distante da realidade, disse à reportagem, por telefone, o especialista italiano em Vaticano Giancarlo Zizola, autor da biografia A Utopia de João 23 (1973) e de O Sucessor (1996), sobre a sucessão de João Paulo 2º.
Uma pesquisa realizada na Áustria em 1995 indicou que grande parte dos que abandonam a igreja o faz porque discorda da rejeição contra o divórcio.
Outro estudo, com católicos italianos praticantes, mostrou que 70% dos entrevistados, em 1998, condenavam a posição da igreja em relação ao tema.
Hoje, estudam-se canonicamente outras formas de casamento, como o africano e o asiático, diferentes da forma ocidental.


