O Sítio Recanto Alegre, a seis quilômetros do centro de Florestópolis, é a primeira obra comunitária concreta de assistência ao adolescente no município. Idealizado pelos conselheiros tutelares, com apoio da prefeitura, do programa estadual da Rua para a Escola e da boa vontade do proprietário rural Vladimir Trunckle, o Construindo o Futuro atende 46 adolescentes, a maioria formada por menores infratores com passagem pelo Conselho Tutelar.
Atendendo à exigência de frequentar as salas de aula, os garotos cuidam de uma horta comunitária, uma plantação de milho e mandioca, recebem reforço escolar e fazem duas refeições por dia. No final do mês, recebem em troca uma cesta básica no valor de R$ 40,00. Eles têm direito ainda a ajuda de uma assistente social, uma nutricionista e uma psicóloga.
O coordenador do projeto, o conselheiro tutelar Massao Yamanaka, um desenhista projetista da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e professor de Estudos Sociais aposentado, lembra que tudo começou com as constantes reclamações dos comerciantes da cidade, alarmados com a quantidade de menores que pediam esmolas em seus estabelecimentos ou realizavam pequenos furtos (em um caso, um grupo roubou tiner e cola de sapateiro de uma loja).
As vítimas se cotizaram e, após receber a doação da área do proprietário rural que vive em Porecatu, passaram a bancar o projeto, hoje mantido quase que exclusivamente com recursos da Prefeitura. ‘‘Desde quando passou a funcionar, nossos problemas diminuíram sensivelmente’’, afirma Yamanaka, referindo-se ao Conselho Tutelar.
Em uma segunda etapa, os jovens poderão trabalhar também na colheita do café e em uma marcenaria que deverá funcionar em breve em um barracão desativado de bicho-da-seda. Quando estiverem em funcionamento, estes dois projetos poderão permitir o atendimento de quase 100 estudantes carentes jovens e desempregados.
Próximo ao Rio Capim e a uma mata nativa, o alqueire reservado ao trabalho dos adolescente conta até com uma bomba e dutos para irrigação. Um dos mais trabalhadores é um jovem de 17 anos com várias passagens pela polícia (uma delas por estupro), que voltou a estudar. ‘‘Nós tentamos dar a eles um ambiente que eles não podem contar em casa’’, diz o coordenador.
A administração municipal já estuda a possibilidade de criar um espaço semelhante para as meninas, que ainda não fazem parte do projeto. A idéia é desenvolver atividades que possam dar retorno financeiros às beneficiadas. No Construindo o Futuro, a produção é destinada às creches e escolas municipais. Parte do milho, da mandioca e das hortaliças também é levada pelos estudantes para reforçar a alimentação das famílias.
Os participantes também têm direito à diversão. Todo final de tarde se banham em um lagoa natural formada em uma área alagada no sítio.

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