Recanto acolhe desamparados com aids
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Eli Araujo <br> Reportagem Local 
Jaguapitã - A constatação de que o setor de saúde não está preparado para atender os portadores do vírus HIV despertou na assistente social Regina Célia Siqueira Almeida a iniciativa de criar uma instituição para tratamento de pessoas com aids, em especial daqueles com a doença em nível avançado e praticamente abandonados pela família.
Tudo começou há 21 anos quando ela fundou da Casa de Maria, uma entidade com sede em Londrina e voltada ao atendimento de crianças vítimas de violência. Na casa apareceram muitos adultos portadores do HIV que não tinham onde ser atendidos. Ela resolveu, então, criar outra entidade para atender estes pacientes e, com o ajuda do marido, comprou as instalações do seminário xaveriano em Jaguapitã, a 50 quilômetros de Londrina. O local recebeu o nome de Recanto Amigo. As atividades começaram há 16 anos com sete internos.
O trabalho foi reconhecido pelo Ministério da Saúde, que passou a encaminhar mais recursos para a entidade, o que possibilitou a ampliação para 25 pacientes atendidos. Devido a problemas de superlotação nos hospitais, o ministério baixou uma portaria fixando as normas para que as casas de apoio atendessem esse tipo de paciente. Hoje, o recanto tem 80 doentes, em média, sendo que 52 são atendidos por meio de convênio com o governo.
O Ministério da Saúde classifica os portadores do vírus da AIDS em dois grupos: no tipo 1 estão as pessoas que ainda não desenvolveram a doença, que conseguem andar, decidir o que fazer e que não precisam de assistência ou de atendimento especial. No tipo 2 estão os pacientes mais graves, que apresentam sinais avançados de debilidade, usam fraldas, precisam de cadeiras de rodas e necessitam de atendimento de enfermagem 24 horas.
A presidente da Casa de Maria diz que estas pessoas não teriam onde ficar se não fosse o recanto porque os hospitais não estão preparados e porque o tratamento é muito caro para a família. O público que chega ao recanto é de pessoas que perderam o vínculo familiar há algum tempo. E não nenhum tipo de preconceito no atendimento. ''Eu digo que eles passam a fazer parte de nossa família quando chegam ao recanto. A gente luta por eles e todos são bem acolhidos'', garante Regina.
Os doentes são encaminhados pelo setor de serviço social das prefeituras e pelos hospitais da região. Muitos chegam com um quadro de confusão mental, sem saber quem são ou onde estão.
Não há um tempo médio de internamento, até porque o recanto funciona em regime aberto. Há casos de pessoas que ficam apenas alguns dias e depois vão embora. Mas há casos de pessoas ficam entre um e três anos e outros que permanecem no local por tempo indeterminado. ''A gente respeita muito a situação do doente, procura saber como ele foi informado do diagnóstico e trabalha também a questão de caso venha a óbito, quem vai cuidar, se quer que a gente avisa a família ou não'', diz Regina.
Segundo ela, há pessoas que não recebem atenção da família nem após a morte. Neste caso, a própria entidade toma as providências necessárias para o sepultamento.
O Ministério da Saúde repassa R$ 350,00 por mês para o tratamento de cada doente, embora o custo individual seja de R$ 890,00. A assistente social diz que a entidade precisa se virar para cobrir a diferença mensal de R$ 540,00 por paciente e também dos 28 que não recebem nenhum recurso por meio de convênio.
A solideriedade de colaboradores é fundamental para se fechar a conta todo mês. ''A gente faz muita campanha, faz bazar, vende pizza, pede muita coisa e as pessoas ajudam muito quando conhecem o nosso trabalho; a ente acredita na divina providência, que vem no momento certo'', acrescenta.


