Rebeliões no Paraná estão controladas
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segunda-feira, 15 de maio de 2006
Andréa LombardoEquipe da Folha 
Curitiba- A situação da cadeia pública Laudemir Neves, em Foz do Iguaçu, que já era crítica por causa da superlotação, tende a se agravar depois da rebelião iniciada na manhã de domingo. A delegacia abriga 819 presos mais que o dobro da capacidade. Como parte do ''cadeião'' foi danificada pelos rebelados, alguns presos tiveram que ficar soltos pelas galerias da carceragem. Pelo menos, seis das 75 celas foram destruídas e as grades arrancadas. A grade do solário, também, foi parcialmente destruída.
Ontem, depois de mais de 24 horas de motim, a situação foi controlada. O mesmo se deu em outras duas delegacias Campo Mourão e Umuarama que registraram rebeliões, na noite de domingo. Durante a madrugada, a cadeia da 6 Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu ficou sem luz e água e, pela manhã, os detentos concordaram em desistir da rebelião, depois do compromisso de terem suas reivindicações, principalmente, em relação à superlotação. Os quatro reféns um funcionário, que saiu ileso, e três detentos foram libertados. Os presos tinham ferimentos leves. Um dos rebelados fraturou a perna ao pular do telhado da cadeia, onde cerca de 470 detentos se aglomeraram durante o motim.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, durante as manifestações em Foz, os presos jogaram colchões incendiados perto dos carros. Uma viatura da Polícia Civil foi atingida e pegou fogo. Outra viatura foi parcialmente destruída por pedradas. Além disso, um veículo particular de um policial militar também foi incendiado. Outros três carros particulares, pertencentes a policiais, também, foram danificados.
A expectativa da Secretaria de Estado da Segurança Pública era de que a Vara de Execuções Penais (VEP) de Foz do Iguaçu agilizasse a transferência de parte dos presos para o sistema penitenciário. Essa foi uma das reivindicações dos rebelados, pois muitos deles já foram condenados e outros, inclusive, já teriam cumprido a pena.
Segundo informações da Agência Estadual de Notícias, houve compromisso por parte do juiz da VEP, Lourenço Chemim, de agilizar o andamento dos processos. A Folha tentou contato com a VEP, mas segundo a telefonista do Fórum, os ramais estavam com problema e não foi possível passar a ligação.
Na cadeia de Campo Mourão, que abriga 130 presos, a rebelião foi controlada por volta das 11 horas da manhã de ontem. Segundo informações do chefe da 16 Subdivisão Policial, delegado Haroldo Luiz Vergueiro Davison, 17 dos presos se rebelaram logo após o programa Fantástico, da Rede Globo, que exibiu a movimentação de presos em todo o País. Os presos fizeram um policial e sete detentos de reféns. Há duas semanas, os presos haviam solicitado melhorias nas instalações, o que, de acordo com Davison, foi atendido.
Ainda no domingo, a polícia conteve manifestações na cadeia da 15 Subdivisão de Cascavel, onde estão alojados 490 presos. No cadeião da 20 Subdivisão Policial de Toledo, com 130 detentos e capacidade para 28 80 deles se rebelaram. Na carceragem da delegacia de Assis Chateaubriand, que abriga 46 presos em espaço destinado a 25, 40 participaram do motim. Na cadeia da 7 Subdivisão de Umuarama todos os 180 detentos se rebelaram. A capacidade da carceragem é de 60 presos.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, em Foz do Iguaçu, as reformas tiveram início ainda ontem. A cadeia de Assis Chateaubriand, terá que ser totalmente reformada. Nas demais, o departamento de infra-estrutura da Polícia Civil aguarda levantamento do que foi danificado.


