Rio, 14 (AE) - Dois mortos e 41 feridos. Este foi o saldo das rebeliões que aconteceram entre ontem e hoje em penitenciárias do Espírito Santo. A mais grave delas, no Instituto de Readaptação Social (IRS), em Vila Velha, só terminou ao meio-dia de hoje quando os amotinados soltaram os dois soldados da Polícia Militar e um agente penitenciário que ainda permaneciam como reféns. Com os detentos foram encontradas quatro pistolas. O sargento da PM Valdemar Kuhn foi morto e o cabo Alcides Alves da Penha, ferido, ontem. O IRS abriga cerca de 200 detentos.
Na Casa de Detenção, a 300 metros do IRS, a rebelião iniciada na segunda-feira terminou com a invasão do presídio pela Polícia Militar ontem mesmo. Um detento idenfiticado como Cigano foi morto e 40 pessoas (28 presos e 12 PMs) ficaram feridas. Em Linhares, Colatina e Cachoeiro do Itapemirim também ocorreram princípios de rebelião, controladas poucas horas depois, sem vítimas. Em Colatina, o juiz Lindenberg José Nunes negociou com os detentos, mas não atendeu a reivindicação de transferência para a capital. Reivindicações - No IRS, parte das reivindicações dos presos foi atendida. Eles obtiveram a ampliação dos horários de almoço e do uso do telefone público e a volta dos agentes penitenciários, no lugar de PMs, no trato direto com os detentos. As negociações pararam de madrugada e recomeçaram pela manhã, com a presença dos juízes da 5ª Vara de Execuções Criminais, Benedito Senatori e Walace Pandolfo. Os três reféns contaram que não foram maltradados e que nem todos os presos se rebelaram.
A Secretaria de Justiça abriu inquérito para apurar como as quatro pistolas entraram no presídio e quem liderou a rebelião. "O motim aconteceu no pavilhão dos presos mais perigosos, condenados por sequestro, tráfico e assalto a mão armada", disse o secretário de Justiça do Espírito Santo, coronel Luiz Sérgio Aurich. "Nos outros dois pavilhões, onde ficam os detentos menos perigosos, não houve problemas". O coronel Aurich disse que os motins foram uma tentativa de desestabilizar a administração penitenciária do Estado.
"Os rebelados são condenados por crimes hediondos e protestaram contra a presença da Polícia Militar nos presídios e o fim do convênio com empresas privadas que garantia o regime de prisão semi-aberta, mesmo a presos de alta periculosidade", explicou o secretário. "No momento em que começou o motim do IRS, uma mulher que ainda não identificamos ligou para os presídios das outras cidades informando sobre os acontecimentos e incitando os presos a se rebelarem".
Segundo o secretário de Justiça, os presídios do Espírito Santo não têm problema de superlotação. "Em alguns deles, temos 10% a mais da capacidade porque os antigos refeitórios abrigam os presos de menor periculosidade", ressaltou ele. "Hoje, a situação está sob controle, mas não tranquila porque, quando se trata de presídios, nunca se pode falar em tranquilidade".

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