Rebelião termina: um morto e 15 presos transferidos
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Presidente Venceslau, SP, 28 (AE) - Depois de 24 horas de negociações, terminou às 8h30 de hoje a primeira rebelião da penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau, inaugurada em outubro. Um preso foi morto e 15 foram transferidos para a Grande São Paulo e Taubaté. Os três agentes penitenciários e um eletricista, mantidos como reféns, foram libertados e disseram que durante todo o tempo em que permaneceram em poder dos rebelados receberam bom tratamento.
A rebelião ficou restrita ao pavilhão disciplinar,e seus líderes exigiam transferência para unidades prisionais próximas de São Paulo, um telefone celular e permissão para voltar aos pavilhões normais do presídio. O início de negociação foi feito pelo juiz corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias. De madrugada o trabalho foi assumido pelo diretor da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários (Coespe), Lourival Gomes, que chegou a Venceslau, às 2h de hoje.
Inaugurada pelo governador Mário Covas no dia 23 de outubro, a penitenciária, com capacidade para 852 presos, contava com 840 detentos. Às 8h30 de segunda-feira, os 38 presos que estavam no pavilhão disciplinar e que são considerados de alta periculosidade, atraíram os agentes e o eletricista, simulando defeito na instalação elétrica de uma das celas. Quando eles entraram foram dominados e mantidos como reféns.
A rebelião foi comandada pelos detentos Márcio Cezareto Magalhães, o "Márcio Cobra", Ronaldo Gaspar da Silva, o "Pixote", Márcio da Silva Conceição, o "Basquete" e Fábio Ricardo Aparecido, o "Fabinho", que também são acusados de matar o condenado Gilmar da Silva, de 31 anos, com mais de 200 golpes de estilete. Os quatro foram transferidos para o Centro de Reabilitação Penitenciária (CRP) de Taubaté e os demais foram distribuídos por presídios da Grande São Paulo.
Segundo o juiz corregedor, o assassinato ocorreu porque Silva
que cumpria pena por homicídio e assalto,e não por estupro como chegou a ser anunciado, estava jurado de morte por mexer com a visita de um dos outros presos. Ele foi ferido pela manhã e passou o dia todo em poder dos rebelados. Seu assassinato foi consumado, de acordo com o juiz, por volta das 18 horas da segunda-feira.
Durante a tarde foi cogitada da invasão do presídio, como alternativa para impedir o homicídio, mas a idéia foi afastada porque poderia colocar em risco a vida dos reféns. A Polícia Militar manteve no local 150 homens da tropa de choque e todos os 250 agentes penitenciários lotados naquela unidade foram convocados. Três máquinas pás carregadeiras, que seriam usadas para derrubar muros e abrir passagens por um corredor estreito, além de uma unidade do corpo de bombeiros também permaneceram no local.
O coordenador da Coespe atribuiu a uma "falha da segurança" a origem da rebelião, mas não entrou em detalhes. Sobre a transferência dos condenados, ele disse que a medida foi adotada por interesse do sistema penitenciário e negou que a decisão represente o atendimento às reivindicações dos presos e que tenha interrompido a política de não negociar com rebelados, determinada pelo governador Mário Covas.


