Curitiba - Terminou na noite de sexta-feira, por volta das 22 horas, a rebelião na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), Região Metropolitana de Curitiba, que resultou na morte de dois presos de facções rivais. A rebelião, que teve quase 13 horas de duração, terminou depois de atendidas as reivindicações dos presos e da liberação dos dois últimos agentes penitenciários, mantidos como reféns. Os três agentes que ficaram em poder dos presos não sofreram ferimentos.
As negociações só avançaram depois das 17 horas, com a presença de jornalistas. Os 14 presos da sétima galeria, que teriam sido os responsáveis pela rebelião, entraram em acordo, ontem à noite, com o Ministério Público (MP), que acatou o pedido de transferência para São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Por volta das 23 horas, os 14 detentos foram transferidos para o Centro de Observação e Triagem (COT), no Presídio do Ahú. De lá, a partir de amanhã, eles deverão ser transferidos para outras penitenciárias de seus estados de origem. A galeria foi isolada para perícia. O secretário de Justiça, Aldo Parzianello, informou que está sendo aberta uma sindicância que vai apurar como os presos tiveram acesso às armas brancas utilizadas para matar os dois detentos rivais ao grupo que dividiam o mesmo espaço, e se houve envolvimento de agentes penitenciários no motim. Segundo Parzianello, os presos daquela galeria estavam trabalhando em reformas no local, o que facilitou o acesso às armas, uma pá e uma marreta que estavam no corredor.
A Secretaria da Justiça descobriu que os presos utilizaram uma arma falsa, esculpida em uma barra de sabão, para render um agente penitenciário. A revolta começou no momento em que os presos retornavam para suas celas depois do banho de sol. Outros dois carcereiros também se entregaram achando que o colega corria risco. Havia 21 presos na galeria, que permanecia isolada das demais, pois concentrava detentos de alta periculosidade, a maioria deles integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Parzianello garante que a fiscalização e revista na penitenciária é rigorosa. Mas, Sandra Duarte, presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Paraná (Sinspp), acredita que foi descuido das autoridades da PEP em deixar as armas ''disponíveis'' para os presos no corredor. Para ela, a apuração dos fatos deve ser multidisciplinar e feita junto ao MP, não uma sindicância administrativa feita apenas pela Secretaria da Justiça. ''O resultado nós já sabemos. Vai ser apontado que houve falha de agentes penitenciários'', disse. ''Se houve negligência, como já ocorreu anteriormente na Penitenciária Central do Estado (PCE), veio de cima. Os agentes não têm autonomia lá dentro.''

mockup