Rebelião termina com dois mortos na Bahia
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quarta-feira, 03 de novembro de 1999
por Biaggio Talento 
Salvador, 4 (AE) - Terminou com dois mortos e três feridos, na manhã de hoje, a rebelião dos 550 detentos da Presídio Regional de Feira de Santana, a 108 quilômetros da capital baiana. O delegado especial Waldir Barbosa conseguiu convencer os líderes do movimento a libertar os reféns e se entregar com a promessa de estudar as reivindicações, principalmente a revisão dos processos.
Os presos rebelaram-se no início da manhã de ontem (3), quando um grupo armado de estiletes e facas invadiu a cozinha, tomando como reféns José Antonio da Silva, Izael Nunes, Antonio de Jesus, Diomário Santos e Natalício da Conceição, funcionários da empresa Lemos Passos Refeições Industriais, que fornece a alimentação do presídio. Os detentos reivindicavam, além da revisão das penas, melhor tratamento e a não-construção de um muro no pátio interno do presídio para dar mais segurança. Em minutos, o local foi cercado por cem policiais e os delegados iniciaram as negociações. No início da noite, os líderes da rebelião aceitaram soltar o refém Natalício que estava se sentindo mal, em troca do restabelecimento do fornecimento de energia, que havia sido cortada. Eles conseguiram falar, através do celular, de um dos reféns, com o juiz de Execuções Penais de Feira de Santana, Paulo Sérgio Oliveira quando reforçaram suas reivindicações.
Na madrugada, os líderes começaram a se desentender porque um grupo defendia a libertação dos reféns. A briga resultou na morte dos presos Marivaldo Alves de Souza e Alberto Carvalho. Outros sete, três dos quais feridos, conseguiram fugir do pavilhão controlado pelos rebelados para não serem mortos.
Foram levados para o Hospital Clériston Andrade de Feira de Santana, medicados e depois transferidos para a delegacia da cidade.
Pela manhã, o experiente delegado Waldir Barbosa chegou à cidade para negociar e, sem disparar um tiro, conseguiu convencer os líderes da rebelião a encerrar o movimento. "Vamos analisar as renvindicações", disse ter prometido aos detentos.


