Rio- A Secretaria estadual de Administração Penitenciária do RJ confirmou ontem que 30 presos foram assassinados, dois deles esquartejados, e outros 15 ficaram feridos durante a rebelião na Casa de Custódia de Benfica, na zona norte do Rio. Foi a maior matança já vista no sistema carcerário do Rio.
A rebelião durou 62 horas - começou às 6 horas do sábado e terminou por volta das 20h30 de anteontem. Dos 14 internos que fugiram no sábado, dez ainda estão foragidos. No domingo, o agente penitenciário Marco Antônio Borgatte, um dos reféns, foi executado pelos presos.
Segundo o Instituto Médico-Legal, foram encaminhados, além dos 30 corpos, duas cabeças e dois braços de internos. Para acelerar a identificação, os corpos foram levados para quatro unidades do instituto. No entanto, a falta de documentos dificultou o trabalho e, até o início da noite, nenhum nome havia sido revelado.
O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, considera que o desfecho do motim foi uma tragédia. Disse que a recomendação da governadora do RJ Rosinha Matheus(PMDB) era negociar até a rendição. ''A Rosinha solicitou cautela ao comandante (da PM) para evitar um novo Carandiru'', afirmou, referindo-se ao massacre de presos na Casa de Detenção, no Carandiru, em São Paulo, onde 111 presos foram mortos em outubro de 1992, após a invasão da polícia para conter uma rebelião. ''Se a polícia tivesse entrado, seria uma tragédia ainda pior.''
Mulheres e mães de detentos protagonizaram cenas de desespero e revolta. Pelo menos duas vezes durante o dia, elas iniciaram manifestações e provocaram confusão com a polícia.
O deputado Geraldo Moreira (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do RJ, foi a única autoridade a conversar com os parentes. De manhã, ele levou para eles uma relação com os nomes dos 15 feridos, que estão no Hospital Penitenciário. Os familiares cercaram o deputado e entregavam bilhetes com nomes de detentos.
Os reféns libertados, com medo de represália, não quiseram falar sobre o que se passou na casa de custódia.
A casa de custódia abrigava aproximadamente, 900 presos. Pelo menos 600, integrantes do Comando Vermelho (CV), facção que iniciou o levante. Com a tentativa frustrada de fuga em massa e o início da rebelião, os líderes do Comando Vermelho na cadeia aproveitaram para executar inimigos da facção Terceiro Comando (TC). Um dos decapitados seria um irmão do ex-chefe do tráfico de drogas do Morro do Dendê, o Miltinho, que está foragido. Além do CV e do TC, havia presos ligados a outras duas facções.
A Secretaria de Segurança Pública do RJ classificou de ''chacina'' a matança dentro do presídio. O crime será investigado pela Delegacia de Homicídios.

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