Rebelião no 5º DP dura 18 horas
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quinta-feira, 05 de abril de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Enquanto persiste a incógnita sobre a inauguração do Centro de Detenção e Ressocialização, os distritos policiais de Londrina superlotados continuam somando rebeliões, motins e tentativas quase que diárias de fuga. Dessa vez, a revolta atingiu o 5º DP (Zona Norte) onde 111 ocupavam um espaço construído para apenas 24. Eles se rebelaram por volta das 23 horas de quarta-feira e só se renderam às 17 horas de ontem, após a autorização da transferência de 10 presos para a Casa de Custódia de Londrina (CCL).
A rebelião no DP teve início na noite de anteontem, depois que um grupo de presos foi flagrado pelo carcereiro de plantão tentando perfurar a parede da carceragem usando uma ''matraca'' (espécie de furadeira artesanal). Em seguida, quando o mesmo carcereiro foi fechar um dos quadrantes internos da cadeia foi rendido pelos presos. Um policial militar que fazia a guarda externa interveio e para liberar o colega precisar disparar contra os rebelados. O tiro atingiu a porta e ninguém foi ferido.
Desde então, os presos tomaram o controle da carceragem e interromperam a porta de entrada com móveis e eletrodomésticos. Um dos presos foi usado como escudo pelos rebelados. O fornecimento de água e a energia elétrica foram cortados. O Pelotão de Choque ameaçou invadir o local mas a medida não foi colocada em prática. O dia amanheceu e os presos continuaram nos corredores da carceragem armados com estoques e barras de ferro arrancadas das paredes.
Do lado de fora, familiares dos rebelados gritavam por notícias e se desesperavam toda vez que ouviam barulhos na carceragem ou quando chegavam viaturas da Polícia. A mulher de uma das lideranças da cadeia a todo momento se comunicava com ele pelo telefone celular e passava e recebia informações. No meio da tarde, quando começaram a chegar viaturas do Pelotão de Choque, elas ameaçaram invadir a recepção do DP. Algumas delas chegaram a chutar o portão e atirar pedras para dentro do distrito.''A condição lá dentro é horrível. A lotação é muito grande, tem sarna, piolho, rato, barata'', reclamou a mulher de um deles.
Apenas às 17 horas, na presença da reportagem da Folha e após o juiz da Vara da Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, ter confirmado a transferência de 10 presos - os líderes da rebelião - para a Casa de Custódia é que aconteceu a rendição.
O delegado titular do 5º DP, Antônio do Carmo, afirmou que os presos não tinham uma reivindicação específica. ''Foi uma rebelião caracterizada porque o plantonista frustrou o plano de fuga. Esse tipo de confusão é comum por causa da lotação e da proximidade do feriado e também da exposição agropecuária'', opinou.


