Rebelião na Febem dura quase 11 horas
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Agência Estado 
Terminou após quase 11 horas, com a libertação dos reféns, a rebelião de cerca de 600 internos das unidades 12, 13 e 14, destinadas a menores infratores violentos, do complexo da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) no Tatuapé, em São Paulo. O motim se estendeu até às 19 horas.
Segundo funcionários, a rebelião teve início após uma fuga em massa frustrada de manhã. Às 8h30, após o café da manhã, 30 internos fugiram da Unidade Educacional (UE) 12. Vinte e cinco foram recapturados pouco depois. Os amotinados, porém, contaram ao padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor, que a rebelião começou quando funcionários da Febem chutaram as bandejas com o almoço.
Além de destruir totalmente as unidades 12, 13 e 14, incendiando colchões, os revoltosos tomaram seis funcionários e um menor como refém. A Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada e o helicóptero da corporação fez vôos rasantes, auxilando na captura dos menores. Às 16 horas, eles soltaram cinco funcionários, mas mantiveram como refém o monitor João dos Santos, de 51 anos, e um menor. No pátio, policiais da Tropa de Choque cercavam um grande grupo de menores vestidos apenas de cuecas.
O padre Júlio, o deputado Paulo Teixeira (PT) e o presidente da Febem, Eduardo Domingues, negociaram com os amotinados. Por volta das 18 horas, tudo ficou acertado. Um grupo de menores iria para a UE-17, desativada desde dezembro do ano passado quando foi incendiada pelos internos, e 20 para a UE-20. Ao chegar à UE-17, os internos constataram que não havia água nem energia elétrica no pavilhão. Nova revolta. Policiais da Tropa de Choque reagiram lançando bombas de efeito moral.
Enquanto isso, na entrada principal da Febem, na Avenida Celso Garcia, um grupo de familiares, amigos e curiosos gritava: Queremos notícia. Os mais exaltados chutavam a grade e a vidraça da portaria. Aproveitando a confusão, cerca de dez menores saíram correndo pelas alamedas internas da Febem e pularam o portão de entrada principal da unidade. Os fugitivos passaram correndo por entre um grupo de repórteres, curiosos e policiais do Regimento 9 de Julho. A confusão tomou conta do local, com os cavalarianos atirando os animais sobre as pessoas. Momentos depois, três dos menores foram recapturados nas proximidades de uma favela, na Rua Nélson Cruz.
Às 15h35, na Rua Ulisses Cruz, foram ouvidos seis estampidos, semelhantes a disparos feitos com arma de fogo. Houve gritaria seguida de silêncio. Funcionários e policiais negaram que tivessem efetuado disparos. Na confusão, seis menores ficaram feridos levemente, segundo a Febem, com escoriações e pequenos cortes. F.E.F.S., de 17 anos; D.L., de 16; E.A.O., de 18; A.L.R.S., de 17; R.S., de 16; e G.S.S.R., de 17, foram medicados no Pronto-Socorro Municipal do Tatuapé.


