Uma rebelião liderada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) na Penitenciária de Ribeirão Preto (SP)- que durou 13 horas e manteve três agentes penitenciários reféns - terminou com a morte de dois presos, quatro pessoas feridas e toda a parte interna do prédio destruída. O tumulto, que terminou ontem de manhã, contou com a participação dos 800 detentos da unidade.
Os presos mortos, Carlos Alberto Almeida Teixeira, do Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC), e Luciano Rodrigues Souza, Comissão Democrática de Liberdade (CDL), tiveram as cabeças arrancadas e penduradas nos corredores dos pavilhões, os olhos perfurados, mãos cortadas. O coração de um deles foi comido durante um churrasco entre membros do PCC, segundo a Polícia Militar .
Para a PM, foram dois os motivos da rebelião: o mais provável é que tenha ocorrido devido à tentativa de fuga frustada do líder do PCC local, Ilson de Oliveira, o Gulu. O outro motivo seria permitir a morte dos rivais do PCC.
Na última quarta-feira, um jornal de São Paulo publicou a denúncia de agentes penitenciários de Ribeirão Preto (319 km de São Paulo) que anunciavam a morte de Teixeira. De acordo com os funcionários, o PCC estipulou um prêmio de R$ 100 mil pela cabeça do detento, que tentava ser transferido. O pedido, segundo os agentes, foi negado pela direção.
O tumulto começou por volta das 19 horas de anteontem, no pavilhão 2 da unidade, quando os agentes observaram que saía água suja, da cela de Gulu, proveniente da escavação de um túnel.
Três agentes penitenciários foram verificar a atitude dos presos e acabaram sendo rendidos pelos detentos responsáveis pela faxina no prédio, que não haviam sido recolhidos às celas.
Os outros agentes fugiram e, na sequência, todos os pavilhões foram dominados pelos detentos. O pavilhão do seguro - destinado a receber presos ameaçados - foi invadido pelos rebelados, e os presos acabaram mortos. O tumulto durou toda a madrugada e só terminou na manhã de ontem.
Durante a rebelião, cerca de dez mulheres de presos ficaram do lado de fora acompanhando toda movimentação da polícia. Uma delas -que não quis ser identificada- disse que chegou na porta da penitenciária às 3 horas da manhã e que só iria sair dali quando a revista terminasse. ‘‘Eles (a direção da penitenciária) não me deram nenhuma notícia ainda. Estou preocupada’’, disse, sem saber se seu marido tinha sofrido algum ferimento.
As visitas, que estavam agendadas para sábado, poderão ser suspensas por conta da rebelião, segundo a polícia.
O diretor-geral da Penitenciária de Ribeirão, Silvio Maria Machado Júnior, foi procurado durante todo o dia de ontem, mas ele afirmou -por meio de sua secretária- que não poderia atender a reportagem. A reportagem também procurou a Secretaria da Administração Penitenciária para falar sobre o assunto, mas não conseguiu retorno.

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