Rebelião em Urso Branco termina com 27 mortos
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sexta-feira, 04 de janeiro de 2002
Agências 
Terminou no início da madrugada de ontem a rebelião no presídio Urso Branco, em Porto Velho, onde 300 detentos protestavam contra a superlotação e a restrição da circulação dos presos no presídio. Segundo a polícia e o governo do Estado, o número oficial de mortos foi de 27 pessoas. Anteriormente, a Companhia de Controle de Distúrbio (CDD) da Polícia Militar divulgou o número de 45 mortos.
Depois de várias horas de negociações, os amotinados não mostraram resistência quando a polícia retomou o controle do presídio. Uma comissão do Ministério Público e membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) participaram das negociações.
O Ministério da Justiça informou que a secretária nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind, e o diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Ângelo Roncalli, irão hoje a Porto Velho para avaliar a situação no presídio. Segundo a Assessoria de Imprensa do Ministério da Justiça, a pasta liberou recursos para a construção de uma nova unidade prisional em Porto Velho.
O estopim para a rebelião teria sido a determinação, há uma semana, da restrição da circulação dos detentos no interior do presídio. O juiz Arlen de Souza, responsável pela medida, pediu ontem a apuração das mortes porque sua ordem judicial teria sido desvirtuada. Em nota oficial, o juiz afirmou que sua ordem era somente recolher em cárcere os presos que tinham trânsito livre no interior do presídio, e não transferir apenados que se encontravam no seguro (ameaçados de morte) para as celas dos pavilhões.
O arcebispo de Porto Velho, Dom Moacir Grechi, disse que já havia alertado para a iminência de uma carnificina no Urso Branco. As paredes das celas feitas para abrigar os presos ameaçados de morte caíam facilmente, com um pouco de pressão.


