Rebelião em presídio deixa três feridos em Londrina
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Fernanda Carreira e<br> Lúcio Flávio Cruz <br> Reportagem Local
Uma rebelião que durou sete horas na Casa de Custódia de Londrina, na rodovia João Alves Rocha Loures (Zona Sul), terminou ontem com dois presos e um agente penitenciário feridos. A confusão começou por volta das 8 horas, quando sete agentes penitenciários realizavam a revista de rotina na galeria 2, para onde detentos do 2º Distrito Policial haviam sido transferidos recentemente. Pelo menos 100 presos se rebelaram, quebrando grades e paredes, além de terem ateado fogo em colchões e roupas.
Durante toda manhã e início da tarde, o clima foi de muita tensão e mobilizou 80 soldados da Polícia Militar, Choque, Corpo de Bombeiros, com o apoio do Canil, Cavalaria e um helicóptero do Grupamento Aéreo de Resgate (Graer). Aflitos, familiares dos presos permaneceram em frente à Casa de Custódia durante o motim.
De acordo com o capitão Nelson Villa, porta-voz da Polícia Militar, um dos agentes penitenciários, de 32 anos, teria sido imobilizado por alguns detentos e mantido como refém. O agente penitenciário que não teve a identidade revelada já trabalhava há cerca de seis anos no local. Ele sofreu ferimentos na boca e na cabeça.
Em uma carta entregue à imprensa, os presidiários esclareceram que a rebelião teria sido motivada pelo corte pela metade da ''jumbada'' (alimento que é levado semanalmente pela família aos detentos), além das péssimas condições de saúde e maus-tratos. Na carta, os detentos detalharam que a ''jumbada'', entregue a cada 15 dias, seria levada agora a cada 30 dias.
Aparentando muita aflição pela segurança do filho de 21 anos, que estava entre os presos, uma empregada doméstica acompanhou as sete horas de negociação e confirmou as péssimas condições de vida dos presidiários da Casa de Custódia. ''Eles contam que recebem comida estragada, vencida, com bigatos e quando precisam de remédios, não recebem. E agora, além de tudo, cortaram a comida pela metade. Não tem como não ficar revoltada'', afirmou ela, que há cinco meses visita semanalmente o filho, preso por tráfico de drogas.
Uma colega dela, que não quis se identificar, relatou que o marido, de 31 anos, já passou por várias crises de convulsões desde que foi preso por homicídio, há um ano, e nunca recebeu atendimento médico. ''É um absurdo o que eles estão passando aqui. Não é porque estão presos que não têm direito às mínimas condições de saúde e alimentação. Acho que comida é o mínimo e se eles não podem oferecer o mínimo, que deixem a família levar durante as visitas semanais'', salientou.
De acordo com a PM, o grande objetivo dos detentos era organizar uma fuga em massa, mas como o motim foi rapidamente controlado, eles não sabiam o que reivindicar. ''No fim, o único pedido dos presos foi a garantia da integridade física deles o que foi prontamente atendido por nós'', explicou o capitão Villa. Por volta das 11 horas, os presos solicitaram a presença de um representante da imprensa para acompanhar a negociação. Um cinegrafista entrou e permaneceu até o fim da rebelião.
Sobre as denúncias e reclamações da qualidade da comida e do atendimento aos presos, o diretor do Departamento de Execucões Penais (Depen), Maurício Kuehne, garantiu que os detentos recebem atendimento médico e odontológico e que a alimentação é de boa qualidade. ''A comida é verificada todos os dias pelos agentes das unidades prisionais e podemos garantir que é uma alimentação digna'', relatou Kuehne.
O Depen e a direção do presídio não haviam decidido para onde os detentos envolvidos na rebelião seriam transferidos. As celas da galeria onde ocorreu o motim ficaram bastante danificadas e terão que passar por reforma.
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