Curitiba- Sete adolescentes foram mortos e outros seis feridos, na noite de quinta-feira, durante uma rebelião interna no Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. O órgão abriga infratores menores de idade de todo Estado. O tumulto, que envolveu cerca de 170 abrigados começou no início da noite de ontem e só terminou por volta de 3 horas da madrugada, depois da intervenção da Polícia de Choque da Polícia Militar (PM).
Policiais e técnicos do Instituto Médico Legal (IML) que estiveram no local de madrugada informaram que havia muitos estoques (armas feitas com pedaços de madeira e ferro) no local. O que chamou a atenção dos policiais foi que os corpos apresentavam poucas perfurações e muitas estocadas na cabeça e pescoço. Um dos corpos teria marcas de 35 estocadas.
Os seis feridos, segundo a instituição, tinham sido feito reféns pelos rebelados. Eles foram encaminhados ao Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (RMC), medicados e retornado ao educandário de madrugada. Um dos feridos, que retornou à casa às 11h45 de ontem, estava com o rosto cheio de marcas de cortes e tinha a cabeça enfaixada.
Entre os sete mortos, só um era de Curitiba: Alessandro dos Reis Carvalho, de 18 anos. Oséias Carlos, 16 anos; Tiago Rodrigues Santos, 17 anos; e Jefferson Lima Cirqueira, 17 anos, são de Londrina; Daniel Francisco Gonçalves, 18 anos, de Cambé (13 km a oeste de Londrina); Valdecir Aparecido Melo Dalva, 17 anos, de Cascavel; e Fernando Luiz Graciano, 17 anos, de Jacarezinho (ver matéria na página 9).
Surgiram várias versões sobre as causas do tumulto. A Secretaria Estadual de Trabalho e Ação Social órgão do governo do Paraná responsável pela instituição divulgou no início da manhã que seria ''um acerto de contas'' entre gangues, envolvendo adolescentes da capital e do interior do Estado, por disputa de poder interno. Outra versão era de que os abrigados teriam se rebelado para denunciar o tratamento recebido na instituição.
Surgiram comentários de queima de arquivo, e que cinco dos mortos eram líderes de rebeliões e ''estupradores'', que molestavam os adolescentes mais novos. Uma pessoa que mantém trabalho interno com os abrigados, e não quis se identificar, disse que conhecia quatro dos mortos e que não acredita nessa hipótese.
O secretário de Estado de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimermann, que esteve de manhã na instituição, chegou com a primeira versão e, após ouvir os adolescentes, apresentou outra. ''Não é uma rebelião. É uma briga de gangues'', disse na entrada. Na saída, Padre Roque disse que os adolescentes admitem que há problema de relacionamento entre eles, ''por bagulho'' expressão usada por eles que teriam ocorrido fora da instituição. ''Gente que mexe com a minha família eu mato mesmo'', teria dito um deles.

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