REBELIÃO EM PIRAQUARA - 'Meu filho foi lá para morrer'
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sexta-feira, 24 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Tristeza, saudade, dor e revolta. Eram esses os sentimentos dos familiares dos três adolescentes de Londrina mortos durante a rebelião no Educandário São Francisco, em Piraquara, região Metropolitana de Curitiba. Os corpos deveriam chegar à cidade na noite de ontem.
''Meu filho foi para lá para morrer'', lamentou a mãe de Jéferson Lima Cirqueira, de 17 anos. Sem dinheiro para bancar a viagem para a capital, a dona de casa Ivone Lima Cerqueira não via o filho há exatos três meses, desde que ele foi transferido do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) de Londrina para o Educandário. O menor foi apreendido depois de praticar um roubo. A tia de ''Jéfinho'', Vanir Lima Cirqueira, contou que ele estava trabalhando e estudando na unidade e estava bastante feliz. ''Queremos Justiça'', reclamou. O velório será realizado em uma igreja do Jardim Santa Madalena (Zona Oeste).
Na casa da família de Tiago Rodrigues dos Santos, 17 anos, o clima também era de tristeza e revolta. O padrasto do adolescente, José Florentino de Araújo, disse que o menor telefonava com frequência e nunca disse que era ameaçado por outros internos. ''A gente ainda nem sabe o que vai fazer, mas isso não pode ficar assim'', falou. Tiago era o mais novo entre quatro irmãos e havia sido transferido para Curitiba no dia oito de junho. Ele foi apreendido por roubo. O corpo será velado no centro comunitário do Jardim Monte Cristo (Zona Leste).
A Folha não conseguiu localizar no Jardim Franciscato (Zona Sul) a família de Oséas Carlos, 16 anos, o outro adolescente da cidade morto na rebelião. Ele foi apreendido por tráfico e tinha ido para Curitiba em maio.
As famílias foram informadas das mortes pelas assistentes sociais do Projeto Murialdo, Jaqueline Micali e Ana Lúcia Conde. De acordo com elas, os menores foram mortos por internos de Londrina que formavam uma gangue no Educandário e integravam o grupo de 16 adolescentes que liderou a rebelião. ''No Ciaadi, eles eram divididos por gangues mas lá em Curitiba, eles foram divididos conforme a idade, o porte físico e a infração, o que acabou gerando confrontos'', disseram. De acordo com elas, os corpos deveriam chegar a Londrina na noite de ontem.


