Piracicaba, SP, 17 (AE) - Um preso foi morto e um policial militar gravemente ferido em rebelião no Cadeião de Piracicaba, a 170 quilômetros de São Paulo. Outras três pessoas tiveram ferimentos leves - um preso e dois policiais. A rebelião começou ontem (16), por volta das 13h45, após uma tentativa frustrada de resgate de presos. O anúncio do fim do motim foi feito às 13h35 pelos delegados Orlando Miranda, da Delegacia do Interior de Campinas (Deinter), e Roney Antonio Rodrigues, da Seccional.
Durante a rebelião os presos conseguiram tomar todo o arsenal da unidade. O detento Antonio Andersom Simão de Souza, de 20 anos, foi morto. O policial militar Waldemar Rota, de 45 anos, atingido por dois tiros,um deles no olho, passou por cirurgia e está na UTI do Hospital dos Plantadores de Cana. Dois carcereiros foram tomados como reféns e libertados no começo da tarde de hoje. Os presos se renderam e devolveram as armas após a Tropa de Choque entrar no presídio.
A rebelião começou depois que um grupo de cerca de seis homens tentou resgatar detentos de dentro do Cadeião, por volta das 13h45 de domingo. Houve tiroteio no qual foi atingido o PM Waldemar Rota, mas o grupo conseguiu escapar. Um dos veículos utilizados na tentativa de resgate - um Omega - foi encontrado abandonado perto de Limeira. Dentro do veículo a polícia encontrou uma metralhadora.
Após a tentativa de resgate os cerca de 670 presos se rebelaram e saíram dos pavilhões, chegaram ao prédio administrativo e tomaram os dois carcereiros como reféns. Em seguida, os presos tomaram posse do arsenal do Cadeião. Quando começou a rebelião, aproximadamente 200 parentes dos presos estavam no presídio. Eles foram mantidos dentro do prédio até hoje pela manhã.
Armas - Os presos rebelados estavam com duas metralhadoras, doze revólveres calibre 38, onze espingardas calibre 12, quatro espingardas Puma, dois carregadores de metralhadora, cerca de mil cartuchos de munição, oito pares de algemas, 14 coletes a prova de bala e dois rádios de comunicaçao da polícia.
As armas só foram entregues às 12h22 de hoje, mas ainda falta a polícia descobrir onde estão 4 pistolas, sendo três delas de calibre 380 e uma de calibre 45. A polícia ainda encontrou seis celulares com os presos.
Interdição - Após o fim da rebelião, enquanto aguardavam a contagem dos presos no interior dos pavilhões, o delegado Cláudio Meni e o major PM Antonio Marcolino Vieira mencionaram a necessidade de interdição da unidade. Toda a documentação com os processos dos presos foi destruída . Os detentos atearam fogo aos móveis e equipamentos da unidade administrativa. Um dos portões de ferro que separa a parte administrativa do pátio externo, com quase seis metros de altura, foi arrancado. Já o portao frontal do Cadeiao exibia marcas de tiros de muniçao pesada.
Tiroteios - Com a situação interna totalmente foram de controle, os presos tentaram uma fuga em massa por volta das 15h30 de domingo e houve tiroteio com a polícia que cercou o prédio. Outros três tiroteios ocorreram ainda no domingo, o último deles às 23 horas. Durante a madrugada e manhã de hoje mais dois tiroteios foram registrados.
Reféns - A Polícia Militar mobilizou 158 homens, incluindo efetivo da Tropa de Choque e atiradores de elite. Outros 50 homens foram mobilizados pela Polícia Civil. A Tropa de Choque começou a entrar no prédio às 9h30 de hoje e às 11h50 o juiz-corregedor Cláudio do Prado Amaral, esteve na unidade. Ao meio-dia começou a retirada dos parentes dos presos, embora um grupo de aproximadamente 60 pessoas tenha permanecido até o final da rebelião no interior da parte administrativa e nos pavilhões. Nenhum dos reféns foi ferido.
"O que aconteceu no Cadeião foi resultado da falta de medidas para resolver os problemas que vínhamos denunciando", afirmou hoje o deputado estadual Roberto Morais, que no dia 31 maio do ano passado entregou ao secretário estadual de Segurança Pública, Marco Petrelluzzi, um dossiê sobre os problemas do Cadeião elaborado pelo Jornal de Piracicaba. O deputado disse ter recebido denúncias de casos de corrupçãoo envolvendo funcionários da unidade.

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