São Paulo - Os presos do Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, em São Paulo, fizeram ontem uma rebelião que durou quase oito horas e deixou um saldo de sete internos mortos.
Os detentos liberaram os cinco funcionários que haviam sido feitos reféns, entre eles três diretores, e voltaram às suas celas depois que a administração penitenciária do estado de São Paulo se comprometeu a transferir alguns presos.
Segundo as autoridades, os sete presos morreram em uma rixa entre grupos rivais que deu origem à rebelião. Os mortos seriam do CDL (Comando Democrático para a Liberdade), assassinados pelo CRBC (Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade), dissidência do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Ao lado dos corpos, os rebelados escreveram com lençóis a frase ‘‘Os verme (sic) CDL’’, imitando as inscrições do PCC.
Depois de quase quatro horas de negociações nas quais os presos não entraram em acordo sobre suas reivindicações, os líderes da rebelião decidiram se render depois de pedirem a transferência de alguns internos que consideravam seus inimigos.
A Secretaria de Administração Penitenciária disse que fará algumas transferências de presos, mas não informou o número nem o destino.
O Centro de Detenção Provisório de Guarulhos, que tem capacidade para 768 internos, foi inaugurado há dois meses.
Ao contrário da maioria das prisões brasileiras, onde a superlotação é comum, a instituição de Guarulhos abriga 644 presos.
Segundo as autoridades, no Brasil existem mais de 230.000 presos em um sistema carcerário com capacidade para 180.000.
De acordo com um relatório divulgado pela Comissão de Direitos Humanos da ONU no ano passado, as condições nas prisões brasileiras são ‘‘absolutamente horríveis’’ e os presos são submetidos a tortura e maus tratos de maneira ‘‘sistemática’’.

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