Guarapuava - Doze agentes penitenciários foram feitos reféns depois que aproximadamente 40 detentos da Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), se rebelaram no final da manhã de ontem. Os detentos amarraram e agrediram com pedaços de pau e barras de ferro outros presos. Alguns destes foram colocados no telhado da unidade seminus.
A Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) ainda não confirmou o motivo da rebelião, entretanto, conforme adiantou o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), entre as reivindicações estaria um pedido de transferência de condenados por crime sexual. Também não foi divulgada oficialmente a quantidade de feridos durante o motim. Pelo menos seis homens foram arremessados ou caíram do telhado. Um dos presos teve traumatismo craniano e foi levado para o Hospital São Vicente de Paulo.
Alguns presos jogaram cola em um agente penitenciário e queriam atear fogo no servidor. No entanto, outros rebelados interviram e decidiram liberar o ferido, que foi encaminhado para o hospital e depois liberado. Os apenados também colocaram fogo na fábrica que funciona dentro da penitenciária. Existem suspeitas de que parte dos rebelados seja integrante de facções criminosas. Alguns teriam participado de rebeliões em outras unidades do Estado. A Seju não confirmou esta informação. No topo de um dos prédios da unidade, os detentos hastearam as bandeiras do Paraná e do Brasil e uma faixa com os dizeres "Pedimos força dos irmãos".
As negociações começaram às 17 horas, mas até o fechamento da edição ainda não haviam sido encerradas. O diretor do Departamento de Execução Penal (Depen), Cezinando Paredes, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar; e a juíza da Vara de Execuções Penais (VEP) de Guarapuava, Patrícia Roque Carbonieri; participaram das discussões.
A unidade foi a primeira penitenciária industrial inaugurada no País e está com 240 presos, sua capacidade total.
Conforme o Sindarspen, este é o 21º motim em unidades prisionais do ano no Paraná. A mais grave aconteceu na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), no final de agosto. Dois agentes penitenciários foram mantidos reféns por cerca de 45 horas e a rebelião terminou com cinco mortos e 25 feridos. "‘Disseram que as rebeliões anteriores poderiam ter ocorrido por motivação política. Pois bem, passamos do período eleitoral e a falta de segurança resultou em mais uma rebelião. É um problema que não é resolvido e, mesmo reclamando das condições de trabalho, nada de concreto foi feito. Falta efetivo e as vagas nas unidades precisam ser revistas. Os agentes estão revoltados em todo o Paraná porque não sabem se voltam para suas casas depois do trabalho"’, ressaltou o presidente do sindicato, Antony Johnson.

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