Rebelião em cadeia do litoral paulista termina com 2 mortes
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Caraguatatuba, SP, 26 (AE) - Dois presos morreram durante uma rebelião iniciada hoje pela manhã na Cadeia Pública de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Os 146 presos ficaram amotinados por aproximadamente quatro horas no interior do prédio, onde queimaram colchões, roupas e retiraram as grades das celas. Eles exigiam a presença do juiz-corregedor e de autoridades policiais para negociar uma pauta de reivindicações, entre elas a transferências de condenados, para acabar com a superlotação. A cadeia tem oito celas e foi construída para comportar 48 presos, porém está com o triplo da população carcerária permitida.
O movimento terminou no começo da tarde, depois que os presos tiveram algumas exigências atendidas. O motim começou por volta das 8h30, no pátio interno do presídio, quando os detentos tomavam banho de sol. Rapidamente, os rebelados conseguiram controlar as alas das celas e investiram contra dez presos que se encontravam no "seguro". Os presos Wiliam Roberto da Silva e Paulo Rogério de Oliveira, ambos há três meses no estabelecimento, foram mortos a pancadas e golpes de estiletes. Os líderes da ação ainda ameaçavam assassinar outros oito detentos caso o juiz-corregedor dos presídios, André Augusto Salvador Bezerra, deixasse de comparecer ao local.
Por volta das 10 horas, o juiz chegou e junto com o delegado seccional de polícia, João Barbosa Filho, iniciaram as negociações. Cerca de cem policiais, entre militares e civis de Caraguatatuba e São Sebastião, ficaram posicionados nas imediações da cadeia para evitar uma possível fuga em massa. Os amotinados pediam o fim da superlotação, transferência de presos
revisão das penas e refeição de melhor qualidade. Depois de quase duas horas de conversações, os presos aceitaram voltar para as celas e se comprometeram a preservar a vida dos ameaçados de morte.
Mesmo com a concordância dos líderes do movimento, o clima ainda é muito tenso no local. "Estamos com problemas de superlotação e a cadeia virou um barril de pólvora", revelou o diretor interino do presídio, delegado Orley Siqueira. A situação foi totalmente controlada por volta do meio-dia, quando a polícia conseguiu entrar no local e retirar os dois corpos que foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) de São Sebastião. Os carcereiros passaram a fazer uma grande revista na cadeia e recolher os estiletes e outras armas improvisadas.
Segundo o delegado Siqueira, o prédio não sofreu qualquer dano e se encontra em boas condições. As grades retiradas pelos amotinados foram recolocadas. O juiz prometeu avaliar os processos, verificar a alimentação e os pedidos de transferência dos condenados nos próximos dias.


