Rebelião em Bangu 3 já é a mais longa do ano
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2003
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Presos rebelados no presídio de segurança máxima Bangu 3, no Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, liberaram, ao longo do dia de ontem, apenas quatro reféns dos 42 que estão em poder deles desde a manhã de terça-feira, quando se amotinaram após uma tentativa de fuga frustrada. Foram libertados uma mulher grávida, uma médica e dois agentes. Um preso deixou o presídio numa ambulância, subindo para sete o número de feridos na mais longa rebelião do ano o protesto já durava mais de 30 horas até o fim da tarde de ontem. Terça-feira, um agente morreu baleado.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária estariam como reféns oito guardas, um médico, um enfermeiro e de três a cinco operários que trabalham numa obra no interior de Bangu 3. Mas esse número ainda não havia sido confirmado até ontem.
Presos e reféns passaram o dia trancados na sala do diretor sem luz ou água, cortados desde o dia anterior, por ordem do secretário de Administração Penitenciária do RJ, Astério Pereira dos Santos. Segundo a médica libertada, que se identificou apenas como Alessandra, alguns reféns já apresentavam sinais de desidratação. ''Não vamos suportar mais uma noite aqui'', disse ela aos repórteres por telefone, pela manhã. Por causa do corte de energia, os bloqueadores de celular deixaram de funcionar.
De acordo com Francisco Rodrigues Rosa, ex-presidente do Sindicato dos Agentes, os reféns faziam escudo humano para proteger os presos. Ele disse ainda que os detentos espancaram os agentes. Rosa acusou o governo do Estado pela falta de segurança dos guardas penitenciários.
''O colega que morreu estaria vivo se estivesse com colete à prova de balas.'' A médica liberada não confirmou os maus-tratos aos agentes.


