Agência Estado
Terminou ontem, por volta das 8 horas, a rebelião iniciada no domingo à noite, na penitenciária de Franco da Rocha, a 40 quilômetros de São Paulo. Os presos acusam a segurança do presídio de maus-tratos e exigiam tratamento melhor. Os rebelados tomaram oito reféns, mas nenhum deles foi ferido. O movimento acabou após a Tropa de Choque ocupar o presídio.
O motim começou por volta das 18 horas, logo após a visita. Segundo o coordenador dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado, Lourival Gomes, cerca de 20 presos iniciaram a rebelião. Armados com pedaços de ferro, eles tomaram os reféns e quebraram vidros e fechaduras. De acordo com Gomes, momentos antes do início do motim, funcionários descobriram a existência de brocas e uma corda numa das celas, instrumentos que poderiam ser usados numa tentativa de fuga.
Um dos padres que acompanham os presos contou que há muitas reclamações sobre maus-tratos. ‘‘Eles dizem que são tirados das celas durante a noite para apanhar, reclamam por não receber roupas, sapatos e se queixam da maneira como as visitas são tratadas.’’
Embora haja queixas, Gomes disse que as reivindicações não foram levadas a ele, que negociou com os detentos durante cerca de 14 horas. ‘‘Pedi que me apresentassem alguém que tivesse apanhado e ninguém se apresentou’’, contou. ‘‘Eles não me levaram nenhuma reivindicação plausível; foi mais uma baderna do que um movimento reivindicatório.’’
Durante as negociações, Gomes disse que os presos lhe pediram apenas a presença da imprensa e aparelhos de telefone celular. Como o coordenador negou os pedidos, quatro detentos foram espancados pelos rebelados. Diante disso, Gomes determinou a invasão da penitenciária pela Tropa de Choque da Polícia Militar, ontem pela manhã. Os detentos libertaram os sete reféns que ainda estavam em seu poder - um havia sido libertado durante a madrugada - e foram submetidos a uma revista.
Com o fim da rebelião, os 20 detentos que teriam iniciado o motim foram transferidos para outras penitenciárias. O coordenador afirmou que esses presos responderão a inquérito e devem ser processados. No presídio de Franco da Rocha deve ser aberta uma sindicância para verificar problemas com a segurança. ‘‘E eles vão reconstruir o que destruíram’’, afirmou Gomes, sobre os danos causados às instalações. A Penitenciária Mário de Moura e Albuquerque foi inaugurada em outubro do ano passado, com capacidade para 852 detentos. Na noite em que começou a rebelião havia 856 presos.

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