Recife, 26 (AE) - Um detento foi morto e seis feridos hoje pela manhã em rebelião no Presídio Aníbal Bruno, no Recife. Pouco antes das 10 horas houve tiroteio entre os detentos e policiais.Os presos queimaram dois pavilhões. O motivo da rebelião teria sido o atraso de duas horas na visita íntima. Uma pistola foi apreendida com os detentos e o motim controlado com a ajuda da Polícia Militar.
O preso José Roberto dos Santos, de 31 anos, do pavilhão F, foi morto a facadas, segundo a direção do presídio. De acordo com os detentos, foi morto a tiros por um policial. Outros quatro detentos foram feridos a bala - Ismael Araújo de Oliveira
Gildo José de Lima, José Valmir dos Santos e Carlos Alberto Silva. E dois se queimaram - Edson Soares da Silva e Amari Laurentino Rego.
O diretor do presídio, coronel Geraldo Severiano, negociou com os detentos, que reivindicavam a aceleração de seus processos na Justiça, a troca dos policiais da guarda e uma entrevista coletiva à imprensa. A inquietação no presídio começou com a proibição de visitas íntimas na semana passada, por determinação do coronel Severiano, para tentar evitar a contaminação por cólera. A doença matou um preso, há outros sete casos confirmados e 42 suspeitos. "Foi necessário fazer isso para prevenir contra a contaminação de familiares", afirmou ele.
Outra determinação do diretor, obrigando a revista dos policiais responsáveis pela guarda do presídio no início e no final dos turnos, teria contribuído para deixar mais tenso o ambiente. Apesar de antiga, essa ordem não vinha sendo cumprida e era recebida com resistência pelos policiais. Mas por causa da entrada de armas e drogas no presídio as revistas foram iniciadas hoje, atrasando o acesso dos visitantes. O confronto envolveu presos dos pavilhões A, B, C e D. Com capacidade para receber 524 detentos, o presídio Aníbal Bruno abriga 2.719.
O detento do pavilhão A Moab Joaquim da Silva, de 29 anos, da comissão encarregada de falar com a imprensa, mostrou quatro projéteis deflagrados e afirmou: "Vejam isso e digam se é coisa para detento ter na cela; os PMS começaram tudo, estão com raiva por causa da revista e queremos o nosso direito de receber visita". Jorge Gomes de Lima, de 24 anos, afirmava ter visto José Roberto dos Santos ser baleado. Ele disse temer represálias."A gente pode ser isolado depois disso, espancado, transferido para um lugar distante, proibido de receber visita ou colocado no meio dos inimigos para ser morto, mas vocês têm que saber que tem gente aqui esperando há anos por uma decisão da Justiça que não vem", denunciou.

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