Rebelião deixa um morto e 7 feridos em delegacia do Rio
Agência Folha
Do Rio
Um preso morreu e sete ficaram feridos depois de 12 horas de rebelião na 14ª Delegacia Policial, no Leblon (zona sul do Rio). A rebelião começou na noite de anteontem e só terminou ontem de manhã, depois de um acordo que permitiu a transferência de 52 presos para uma penitenciária.
Não houve fuga nem invasão da delegacia. Às 8h30, os presos concordaram em soltar o chefe da carceragem, José Wellington Menezes Paes, mantido como refém. Logo depois começou a transferência dos condenados para o presídio Ary Franco, em Água Santa (zona norte).
A 14ª DP estava superlotada, com 393 presos nas celas. Só tem capacidade, de acordo com o delegado Rogério Marchesini, para 160 pessoas, com boa vontade.
A rebelião começou às 20h30 de anteontem, quando os presos pediram socorro alegando que um dos detentos passava mal. O carcereiro Adilson Rodrigues entrou no xadrez 8 e foi cercado. O alarme soou, e reforços foram chamados. Cinquenta policiais civis e militares cercaram o prédio. Sem condições de fuga, os presos mantiveram Rodrigues como refém e reivindicaram a transferência dos condenados. À meia-noite, trocaram Rodrigues por Menezes, chefe da carceragem.
De madrugada, houve tumulto nas celas entre integrantes de facções rivais do tráfico. Um preso, Rogério Guimarães Nascimento, o Rogerinho, de 18 anos, foi morto. Outros sete ficaram feridos. As celas tiveram as portas arrancadas e a fiação destruída. O carcereiro Rodrigues disse que agiu certo ao entrar na cela para socorrer um preso que, supostamente, passava mal. Eu não poderia entrar armado, quem faz isso morre. Se o carcereiro não entra para ajudar um doente, aí há rebelião, afirmou.
Menezes, chefe da carceragem, disse que não foi espancado, mas sofreu terror psicológico. O delegado Marchesini informou que, quando a rebelião começou, seis policiais civis estavam de plantão. É o normal, embora não seja suficiente. A tensão é permanente, afirmou. Cerca de 30 PMs permaneceram na delegacia por todo o dia, mas a situação era considerada sob controle.





