Terminou ontem, por volta das 19h15 a rebelião na Casa de Custódia de Taubaté, a 128 quilômetros de São Paulo, iniciada no domingo de manhã. quando as negociações entre a direção do presídio e a Secretaria de Administração Penitenciária com os presos amotinados foram encerradas. Os quatro carcereiros mantidos como reféns foram liberados e estavam bem de saúde. Os presos exigiam a transferência para outros locais.
Cerca de mais 70 homens da Tropa de Choque da Polícia Militar chegaram por volta das 20 horas ao estabelecimento penal para iniciar a operação de revista. Os presos seriam removidos em três ônibus e dois carros, numa operação que se estenderia até hoje de manhã.
Nove corpos de presos foram retirados da Casa de Custódia. No meio da tarde 19 familiares foram libertados, após 12 líderes negociarem a remoção para outras cadeias. O preso Francisco de Assis Pereira, o maníaco do Parque, não está entre os mortos, informou a Secretaria das Administrações Penitenciárias de São Paulo.
Grande parte dos 380 detentos estava armada com estiletes e facas, produzidas nas oficinas do estabelecimento penal. Três dos presos assassinados tiveram a cabeça decepada. Os cadáveres foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) do município. Como estão mutilados, a identificação será difícil.
Os presos amotinados fizeram uma relação com 120 nomes, pedindo transferência da Casa de Custódia para outros estabelecimentos penais do Estado. Eles ocuparam a cozinha do presídio, que foi abastecida na última quinta-feira e tem alimento suficiente para os próximos sete dias.
A tensão na Casa de Custódia aumentou após se completarem 24 horas de motim. Às 9h30 foi formada uma comissão para negociar com os líderes da rebelião. Os amotinados também formaram seu grupo, com 12 elementos, liderados pelo traficante Jonas Mateus, ligado à detenta Maria do Pó, e integrante da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O grupo que iniciou as conversações era formado por um oficial da tropa de choque, o diretor do presídio, Ismael Pedrosa, e o secretário-adjunto da Secretaria de Administração Penitenciária, Mário Jordão Toledo Leme. Os amotinados pediram a presença, nas negociações, de um outro grupo, formado por seis mulheres de presos. Elas foram revistadas e entraram no presídio mas não conseguiram contato com seus familiares.
Os presos mortos tiveram o rosto e partes dos corpos esmagados. Eles foram amontoados em uma das entradas do setor de segurança, chamado Anexo. As primeiras informações apontavam entre cinco a sete mortos. O detento Antônio Carlos da Silva, conhecido como Bicho Feio, foi decapitado e sua cabeça colocada no gradil como advertência à Polícia Militar, que ameaçava invadir as alas ocupadas do presídio de segurança máxima.

mockup