Rebelião de presos termina com um morto
Agência Estado
De Presidente Venceslau
Depois de 24 horas de negociações, terminou às 8h30 de ontem a primeira rebelião da penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau, inaugurada em outubro. Um preso foi morto e 15 foram transferidos para a Grande São Paulo e Taubaté. Os três agentes penitenciários e um eletricista, mantidos como reféns, foram libertados e disseram que receberam bom tratamento.
A rebelião ficou restrita ao pavilhão disciplinar e seus líderes exigiam transferência para unidades prisionais próximas de São Paulo, um telefone celular e permissão para voltar aos pavilhões normais do presídio. Inaugurada pelo governador Mário Covas em outubro, a penitenciária, com capacidade para 852 presos, contava com 840 detentos. Às 8h30 de segunda-feira, os 38 presos que estavam no pavilhão disciplinar e que são considerados de alta periculosidade, atraíram os agentes e o eletricista, simulando defeito na instalação elétrica de uma das celas.
A rebelião foi comandada pelos detentos Márcio Cezareto Magalhães, Ronaldo Gaspar da Silva, Márcio da Silva Conceição e Fábio Ricardo Aparecido, que também são acusados de matar o condenado Gilmar da Silva, de 31 anos, com mais de 200 golpes de estilete. Os quatro foram transferidos para o Centro de Reabilitação Penitenciária (CRP) de Taubaté e os demais foram distribuídos por presídios da Grande São Paulo.
Segundo o juiz corregedor, Antonio José Machado Dias, o assassinato ocorreu porque Silva, que cumpria pena por homicídio e assalto, estava jurado de morte por mexer com a visita de um dos outros presos. Ele foi ferido pela manhã e passou o dia todo em poder dos rebelados, sendo assassinado por volta das 18 horas da segunda-feira.
O coordenador da Coordenadoria dos Estabelecimentos Prisionais (Coespe), Lorival Gomes, atribuiu a uma falha da segurança a origem da rebelião, mas não entrou em detalhes. Sobre a transferência dos condenados, ele disse que a medida foi adotada por interesse do sistema penitenciário e negou que a decisão represente o atendimento às reivindicações dos presos e que tenha interrompido a política de não negociar com rebelados, determinada pelo governador Mário Covas.





