Rebelião de 11 horas deixa sete mortos em Praia Grande
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
Sete presos foram assassinados na manhã de ontem na Cadeia Pública da Vila Mirim, o chamado Cadeião de Praia Grande (litoral paulista), após uma tentativa de fuga frustrada à qual se seguiu uma rebelião com cerca de 11 horas de duração. A maioria dos mortos é composta de detentos que ocupavam a cela do seguro, compartimento destinado aos presos jurados de morte. Pelo menos um deles, Geraldo Magela Costa, 53 anos, era faxina (responsável pela limpeza) e, supostamente, teria sido executado por ter boa relação com a administração da cadeia.
De acordo com o diretor da cadeia, delegado Paulo Fernando Felipe, os presos foram assassinados a golpes de estilete pelos próprios amotinados depois que agentes impediram uma fuga em massa durante a madrugada. A tentativa de fuga ocorreu por volta das 5 horas. Armados de revólveres, os presos quebraram os cadeados das celas e iniciaram a fuga pela porta da frente. Com o auxílio de cordas feitas de pano, parte deles tentou escalar o muro da cadeia, mas não conseguiu.
Segundo o delegado Paulo Felipe, os presos saíram dos pavilhões atirando contra os agentes de segurança que se encontravam nas torres da cadeia. Não houve feridos durante o tiroteio. Sem êxito na tentativa de fuga, eles voltaram para os pavilhões e iniciaram a rebelião, invadindo a cela do seguro, de onde tiraram os detentos que acabaram mortos. Os corpos dos presos assassinados ficaram durante a maior parte do dia estendidos no pátio. Foram recolhidos somente às 17h30, uma hora e meia depois de a rebelião ter se encerrado. Os nomes dos mortos não tinham sido divulgados até o início da noite. No domingo, treze detentos foram queimados e mortos por colegas na Penitenciária de Pirajuí, interior de São Paulo.


