Rebelião acaba com 6 mortos no Recife
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segunda-feira, 03 de março de 1997
Agência Estado 
Agência Lumiar/Agência EstadoFugir ou morrerCorpo do PM José Carneiro, que morreu durante conflito com detentos do Presídio Aníbal Bruno, em Recife. Quando a rebelião começou, cerca de 2.500 pessoas visitavam os 1.800 presos dentro do presídio, que tem capacidade apenas para 450 pessoas. Segundo testemunhas os detentos estavam fora de si e só falavam em liberdade e morteRECIFE - Terminou às 4h30 de ontem, com seis mortos e dez feridos a tentativa de fuga de quatro detentos do Presídio Aníbal Bruno, no Recife. A rebelião, que começou às 14h30 de ontem, durou 14 horas.
Entre os dez feridos, nenhum corre risco de vida. Na lista dos mortos, há três detentos que tentavam fugir, dois PMs e um refém de 19 anos. O quarto detento foi capturado com vida e autuado em flagrante.
O comandante geral da Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE), coronel Antonio Menezes, determinou ontem abertura de inquérito para apurar a tentativa de fuga, que ocorreu quando cerca de 2.500 pessoas visitavam os detentos. Com capacidade para 450 pessoas, o Aníbal Bruno abriga 1.800 presidiários.
A rebelião começou quando os detentos renderam o cabo Gilmar Pereira da Silva, 35 anos, no refeitório e tiraram-lhe a pistola e um revólver. Com as armas, os presos mataram o policial e seguiram na direção da saída.
Impedidos pela guarda de fugir pelo portão principal, os rebelados tomaram 25 pessoas como reféns, entre elas o cabo PM José Carneiro da Silva, de 43 anos. Aos berros, eles exigiram um Monza, cinco metralhadoras e a presença da imprensa para garantir a fuga.
Os presos, que ameaçavam matar os reféns se não fossem atendidos, deram um prazo até as cinco horas de ontem. O coronel Antonio Menezes, o secretário de Justiça, Roberto Franca, o promotor da Vara de Execuções Penais, Gustavo Lima, o diretor do presídio, Sebastião Uchoa, e a diretora do Disipe (Diretoria do Sistema Penitenciário) Teresa Sá Leitão, tentaram inúmeras negociações, sem sucesso.
Quando, às 3h30, os detentos executaram o cabo José Carneiro, que tinha as mãos e os pés amarrados, as autoridades deram ordem para o resgate dos reféns. Atiradores de elite da Companhia de Operações Especiais da PM utilizaram granadas de luz e som e mataram os detentos José Amaro de Barros, 29 anos, preso por estupro; Alexandre Elias da Silva, 20 anos, preso por tráfico de drogas; e Ricardo José de França, 26 anos, preso por homicídio.
A PM atribui a morte do refém Gleidson de Lima Santos aos detentos, pois seu corpo foi esfaqueado. Três reféns atingidos durante a operação estão no Hospital da Restauração. Guilherme dos Santos levou um tiro no braço, Reginaldo Silva foi baleado na perna esquerda e Ivanildo Andrade sofreu ferimentos nos pés e mãos devido às granadas. O detento Josenildo Alves dos Santos, ferido no ombro esquerdo, encontra-se na enfermaria do presídio. Outras oito pessoas tiveram ferimentos leves e foram medicadas no Hospital Otávio de Freitas.
Para o irmão do cabo José Carneiro da Silva, Antonio Carneiro da Silva, o policial poderia ter sobrevivido se a polícia não tivesse demorado tanto a interferir. A diretoria do Disipe, Teresa Sá Leitão, explicou que primeiramente se tentou esgotar todas as formas amigáveis de negociação, o que incluiu a participação das mulheres dos detentos Alexandre e Ricardo. Além disso, nós acreditávamos que eles iriam cumprir o prazo que nos deram, afirmou.
O promotor Gustavo Lima contou que os detentos estavam fora de si e só falavam em liberdade e morte. Ao tentar convencê-los a se entregar, por volta da 1h30, viu reféns com armas apontadas para a cabeça e ele próprio foi ameaçado de morte caso não saísse rapidamente do local.
Mantido como refém, Eloísio Francisco de Santana, comentou, ao ser libertado, ter tido muita sorte em sair com vida. Foi um terror, eles nos ameaçavam todo o tempo, afirmou.
Sem poderem sair pelo portão principal, já que os detentos ficaram bem próximos ao local, na sala de permanência, parte dos visitantes só conseguiu deixar o presídio no início da manhã de ontem, depois de tudo encerrado. Cerca de 70 deles, que estavam numa sala já prestes a irem embora, quando se iniciou o tumulto, escaparam ainda durante a tarde pelo buraco de um ar-condicionado. Centenas deles saíram desde as 20 horas até aproximadamente 1h30, pelo muro de trás do presídio, com a ajuda de uma escada colocada pelo Corpo de Bombeiros.
Todas as autoridades foram unânimes em classificar o ocorrido como um caso isolado. A operação policial envolveu 120 militares e 15 viaturas.
Os dois policiais foram enterrados, com honras militares, no final da tarde de ontem. O cabo Gilmar foi sepultado no município de Jaboatão dos Guararapes, e o cabo José Carneiro, no município de Paulista, ambos na região metropolitana do Recife.


