Nova Délhi, 06 (AE-AP) - Os grupos guerrilheiros muçulmanos que lutam contra soldados indianos na Caxemira anunciaram nesta terça-feira (06) que preferem morrer a deixar as posições conquistadas na disputada região himalaia.
O Conselho Unido da Jihad - uma aliança de 14 grupos separatistas - manteve hoje uma reunião de emergência para discutir o acordo acertado domingo entre o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, e o presidente norte-americano Bill Clinton, em Washington.
Segundo o acordo, o líder paquistanês concordava em "dar passos concretos" para que a linha de controle militar - que desde 1972 divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão - fosse restaurada.
Hafiz Mohammad Saeed, líder do Lashkar-i-Taiba, o maior dos grupos guerrilheiros muçulmanos da Caxemira, disse hoje que seus militantes tomarão outras áreas em vez de deixar os picos estratégicos, como o Paquistão tem intenção de pedir. Segundo Saeed, o Lashkar e outros grupos que há dois meses enfrentam as ofensivas aéreas e terrestres da Índia no norte da Caxemira desconsideram o acordo entre Sharif e Clinton.
Os grupos separatistas também condenaram o envolvimento dos Estados Unidos no conflito sobre a Caxemira, acusando-os de tentar impor sua vontade. De acordo com o grupo muçulmano Hizbul Muhajedine, que luta pela independência da Caxemira ou sua união ao Paquistão, é impossível para seus militantes obedecer ao pedido dos EUA de retirada. "Nenhum país tem o direito de sugerir a retirada dos muhajedines (guerreiros sagrados), que lançaram uma luta armada contra as forças indianas para libertar a Caxemira", indicou o Hizbul em um comunicado.
A população da Caxemira, majoritariamente muçulmana, rejeita o controle do governo hindu sobre dois terços do território.
O comandante do Exército paquistanês, Pervez Musharraf, disse hoje que seus militares estão "em perfeita sintonia com o governo" com relação à missão de Sharif em Washington. Ele acrescentou que uma decisão final sobre a retirada dos cerca de 2.000 guerrilheiros do lado indiano da Caxemira será tomada depois do retorno do primeiro-ministro. Sharif, que voltava hoje dos EUA, fez uma escala em Londres para conversar com seu colega britânico Tony Blair, provavelmente sobre os últimos esforços para deter os combates na Caxemira.
Contudo, a iniciativa de Sharif foi duramente criticada pelos partidos de oposição e a maior parte dos grupos islâmicos paquistaneses. O Jamaat-i-Islami, de extrema direita, acusou Sharif de traição e organizou hoje um dia de protesto em todo o país - que recebeu pouco apoio da população.
A Índia, que prometeu manter sua ofensiva até que os guerrilheiros partissem de seu território, informou não haver evidências de retirada das forças paquistanesas nem dos rebeldes muçulmanos que, segundo Nova Délhi, recebem apoio do governo do Paquistão.
O Exército indiano, por sua vez, anunciou ter conquistado três novas posições estratégicas e matado pelo menos 70 "inimigos", ao mesmo tempo que perdeu uma dezena de homens.
Já o ministro de Informação paquistanês, Mushahid Hussain, disse hoje à imprensa que cerca de 600 soldados indianos morreram no norte da Caxemira, mais do que na guerra de 1971 entre a Índia e o Paquistão. Os dois países vizinhos travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, duas delas pela região himalaia da Caxemira.
Sonia Gandhi, presidente do oposicionista Partido do Congresso e viúva do ex-primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi, disse hoje que o governo fracassou em sua obrigação de proteger as fronteiras da nação.
"O inimigo tornou-se mais ousado por causa do governo instável de Nova Délhi", disse ela em um duro ataque ao partido nacionalista hindu Bharatiya Janata, que lidera a coalizão governista. Gandhi também pediu à população que vote por um governo "estável" nas eleições antecipadas - que deverão ser realizadas em setembro ou outubro -, convocadas depois que a coalizão perdeu uma moção de confiança em abril.

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