Kampala, 02 (AE-REUTERS) - Rebeldes hutus ruandeses mataram oito turistas estrangeiros que haviam ido a Uganda para observar raros gorilas da montanha depois de os terem sequestrado.
Funcionários de Uganda informaram que eles foram mortos num tiroteio durante uma tentativa de resgate, mas um sobrevivente americano disse que os rebeldes os atacaram com machetes.
"Os que eu vi tinham suas cabeças esmagadas e profundos cortes de machete", afirmou o americano Mark Ross a repórteres na capital ugandesa de Kampala.
Ele disse que os mortos eram quatro britânicos, dois americanos e dois neozelandeses - quatro homens e quatro mulheres. Uma das mulheres foi estuprada antes de ser morta.
Fontes do Exército ugandense evitaram confirmar a nacionalidade e a identidade das vítimas que foram atacadas pelos guerrilheiros quando visitavam o Parque Bwindi.
O chanceler da Grã-Bretanha, Robin Cook, confirmou que quatro dos oito turistas ocidentais mortos eram britânicos, assim como dois dos seis que conseguiram escapar.
Segundo funcionários da Embaixada da Grã-Bretanha em Kampala, o grupo de turistas sequestrados era composto por seis britânicos, três neozelandeses, três americanos, um canadense e um americano.
A região de Bwindi ganhou relevância turística depois da divulgação internacional do filme A Montanha dos Gorilas, de 1988, protagonizado pela atriz Sigourney Weaver, sobre a pesquisadora Diane Fossey, que perdeu a vida tentando salvar os gorilas da extinção.
Os sequestradores eram pelo menos 150 rebeldes da vizinha Ruanda, armados com machetes, lanças e fuzis AK-47, e aparentemente selecionaram os que falavam inglês para os levar.
Segundo os sobreviventes, os guerrilheiros, que incendiaram vários veículos no acampamento turístico, apresentaram-se como membros da Interahamwe, milícia hutu ruandesa responsável pelos massacres de 1994 em Ruanda, nos quais morreram mais de um milhão de tutsis e hutus moderados.
Vários hutus deixaram Ruanda após o genocídio e abrigaram-se nas regiões montanhosas de difícil acesso da vizinha República Democrática do Congo. Revoltados pelo apoio de Uganda ao governo ruandês de maioria tutsi, os rebeldes hutus costumam atacar com frequência veículos em Uganda e Ruanda e sequestrar seus passageiros.
A americana Linda Adams, de álamo, Califórnia, que foi libertada pelos rebeldes, disse ter ficado chocada quando soube da morte dos outros reféns. "Achei que eles me trataram muito bem", disse Linda à Reuters em sua chegada ao vizinho Quênia.
"Disse a eles que eu tinha asma e me deixaram partir. Devem ter pensado que eu seria um estorvo durante a subida. Eles poderiam ter atirado em mim, mas não o fizeram", contou Linda.
A empresária de meia idade disse que os rebeldes chegaram no meio da noite. Ela ouviu intenso tiroteio, saiu de sua tenda para ver o que estava acontecendo e foi capturada.
"Após alguns minutos trouxeram outras pessoas de outras tendas e em francês perguntaram-lhes suas nacionalidades. Um segurança do parque foi morto e pelo menos um rebelde foi ferido no tiroteio, no início do ataque."

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