Grozny, 02 (AE-AP) - Encorajados por notícias de que muitos rebeldes haviam saído da capital chechena, soldados russos pressionavam nesta quarta-feira (02) para conquistar o destroçado centro de Grozny e lutavam para erradicar os militantes remanescentes.
Tiros de armas automáticas e ocasionais explosões e disparos de artilharia e de tanques ecoavam entre os prédios em ruínas. As tropas pareciam estar fazendo progressos mais rápidos do que em qualquer outro momento nas últimas cinco semanas, quando tinham de se mover de quarteirão em quarteirão e muitas vezes capturavam posições durante o dia apenas para abandoná-las antes do anoitecer, quando os rebeldes tendiam a atacar.
Pequenos grupos de rebeldes ainda resistem bravamente ao avanço russo. Os militares disseram que grande parte da cidade está minada. Nas ruínas de alguns prédios estavam escritos avisos, "Minas", enquanto grafites em outros proclamavam "Morte aos Russos" e "Grozny é Invencível".
Mas a moral dos soldados russos parece ter sido animada pela fuga de rebeldes e refletem a previsão de seus comandantes de que iriam em breve capturar a capital chechena.
"Bloqueamos um grupo de chechenos em um prédio e mantivemos um bombardeio tão intenso que eles não podiam nem colocar o nariz para fora", afirmou o major Vladimir Sobolev. "Depois de um tempo, eles gritaram que estavam ansiosos por se render e saíram, cerca de 20 deles."
Aproximadamente 2.000 combatentes escaparam de Grozny entre segunda e terça-feira, apesar de cerca de 25% deles terem sido mortos quando passaram num campo minado ou foram então esmagados pela artilharia russa, disseram rebeldes.
Vários rebeldes alegaram ter sido enganados por promessas dos russos de que dariam a eles passagem segura para fora da capital.
Os militares têm tentado minimizar o rompimento do cerco à capital, afirmando que grupos menores conseguiram fugir da cidade mas que tropas russas repeliram a maioria das tentativas.
Na verdade, o êxodo dos rebeldes frustrou a estratégia russa de eliminar os combatentes chechenos em Grozny e pôr fim à guerra antes que eles pudessem montar uma campanha de guerrilha espalhada pelo território.
Se rebeldes que escaparam de Grozny alcançarem as montanhas do sul da Chechênia, eles poderiam unir-se a estimados milhares de guerrilheiros baseados na região.
Em um aparente sinal de que a campanha não está indo tão bem quanto o esperado por Moscou, o presidente em exercício Vladimir Putin assinou decreto convocando 20.000 reservistas. Também foi noticiado que a Rússia enviará à república separatista mais 3.500 pára-quedistas para reforçar o atual contingente de 8.000 homens dessa unidade especial. O alto comando russo e o Ministério do Interior já mandaram mais de 90.000 soldados e policiais para a região desde que as tropas federais ingresaram no território da Chechênia, em setembro.
Os russos têm sofrido, mas não admitido, pesadas baixas na Chechênia e a convocação de mais reservistas sugere que as unidades na linha de frente estão sofrendo uma carência de combatentes.
Um porta-voz da presidência russa, Sergei Yastrzhembsky, disse em Moscou que durante a madrugada de hoje rebeldes tentaram sem sucesso, por duas vezes, romper o cerco a Grozny. O ministro da Defesa Igor Sergeyev garantiu que 586 rebeldes foram mortos nas tentativas.
Entre 300 e 400 militantes chechenos em condições de combate e centenas de outros feridos se refugiaram em Alkhan-Kala, no extremo oeste de Grozny, depois de conseguirem romper o cerco da capital, disseram moradores.
Alguns dos combatentes tentaram fugir de Alkhan-Kala hoje pela manhã, mas tiveram que retroceder diante de intensos bombardeios de artilharia russos.
Negociações para permitir que alguns combatentes deixassem em segurança Alkhan-Kala fracassaram e moradores informaram que os militantes preparavam morteiros e outros armamentos para o combate. O procurador em exercício Vladimir Ustinov, que viajou hoje para a Chechênia, disse que 850 rebeldes deveriam se render em breve.
Na fuga de segunda e terça-feira de Grozny, três dos mais destacados chefes militares chechenos morreram e o principal líder da guerrilha, Shamil Basayev considerado pelos russos seu inimigo número 1 foi gravemente ferido ao pisar numa mina.
Houve relatos de que ele teria perdido uma perna, mas a página dos rebeldes na Internet publicou declarações dele admitindo apenas ter sido ferido sem muita gravidade numa perna.
O governo da Geórgia informou ter negado pedido para que Basayev fosse atendido na capital do país, Tbilisi.

mockup