Rebeldes chechenos adotam tática de guerrilha
NAZRAN, Rússia, 05 (AE-AP) - Militares russos admitiram neste domingo (05) que os rebeldes chechenos estão convertendo o conflito na república separatista - até agora caracterizado por embates aéreos e de artilharia - numa guerra de guerrilhas, o tipo de luta que Moscou vinha tentando evitar a qualquer custo por temer que ela possa produzir um número muito elevado de baixas em suas fileiras.
De acordo com o porta-voz militar russo coronel Gennady Alyokhin, as milícias estão tomando medidas para converter Grozny, capital chechena, e Urus-Martan em fortalezas inexpugnáveis. "O objetivo é fazer com que as forças federais sofram significativas perdas, se entrarem", disse Alyokhin.
A declaração foi feita um dia depois do anúncio de que as forças russas completaram cerco a Grozny. Depois de alguns pronunciamentos otimistas, prognosticando o fim da ofensiva para os próximos dias, as autoridades russas parecem agora estar-se preparando para uma guerra mais intensa e mais longa.
Aparentemente, os militares russos hesitam em tomar de assalto a capital chechena por saber que os rebeldes separatistas mantêm sólidas posições no interior da cidade. Na opinião de analistas de Moscou, a luta de guerrilha pode transformar num verdadeiro inferno a vida dos soldados russos na Chechênia.
"Creio que esperaremos a chegada do ano 2000 antes de lançarmos uma ofensiva contra as posições rebeldes", declarou hoje o general Vladimir Bulgakov, comandante das tropas estacionadas ao redor de Grozny.
O comando militar russo tem negado as versões de que vem sofrendo um número excessivo de baixas na Chechênia, mas um alto oficial, Sergey Makarov, admitiu que o Exército estava desfalcado de muitos soldados. Para suprir essa falta, as tropas estavam recebendo lotes de reservistas com apenas seis meses de militância no Exército, segundo Makarov.
"Até agora, a maior parte da nação russa tem respaldado a campanha militar na Chechênia", afirmou Alyokhin. "Mas um assalto a Grozny, que seguramente causaria um elevado número de perdas entre as tropas federais, provocaria uma indignação pública semelhante à verificada na guerra anterior, entre 1994 e 1996; e é isso o que a Rússia pretende evitar."
As forças de Moscou intervieram na Chechênia depois de constatar que militantes chechenos vinham dando apoio militar a rebeldes islâmicos de outra república russa de maioria muçulmana
o Daguestão.





