RACHABURI, Tailândia, 24 (AE-AP) - Cerca de 800 pacientes de um hospital tailandês de Rachaburi, perto da fronteira com Mianmá, foram tomados hoje (24) como reféns por um comando de insurgentes da etnia karen, opositores da junta militar birmanesa.
Os guerrilheiros, cerca de 10, pertencem ao chamado Exército de Deus, movimento dissidente liderado por dois irmãos gêmeos de 12 anos, Johny e Luther Htoo. Seus seguidores, estimados em 200 combatentes, acreditam que os dois possuem poderes místicos em batalhas.
O grupo de mascarados, vestidos com uniformes militares camuflados, irrompeu pela manhã no hospital disparando e, de forma organizada, tomou posições em vários pontos do prédio.
Ao longo do dia e após negociações mantidas com as autoridades tailandesas, os sequestradores libertaram cerca de 50 pessoas, em sua maioria crianças e velhos. Pelo menos 20 reféns conseguiram fugir pela porta traseira do hospital enquanto eram protegidos por unidades de elite da polícia tailandesa.
No fim do dia, o governo da Tailândia aceitou atender exigências dos guerrilheiros em troca da libertação dos reféns. Segundo o general Surayudh Chulanont, comandante do Exército tailandês, o governo de Bangcoc comprometeu-se a abrir sua fronteira com Mianmá para que os rebeldes da etnia karen feridos em combates com o Exército de Mianmá e nos disparos das forças de segurança da Tailândia possam ser atendidos nos hospitais tailandeses.
Um dos porta-vozes do grupo havia indicado que o sequestro continuaria até que todas suas exigências fossem atendidas. Os insurgentes colocaram uma bomba na entrada do hospital e afirmam estar dispostos a detoná-la se as forças de segurança intervierem. Também exigiram que o Exército tailandês não se aproxime do hospital e cesse os disparos de artilharia contra os rebeldes ao longo da fronteira birmanesa.
O Exército de Deus está abrigando os Vigorosos Estudantes Combatentes Birmaneses, cinco dissidentes que tomaram a Embaixada de Mianmá em Bangcoc em 1º de outubro. Eles fizeram 40 pessoas de refém para protestar contra a falta de democracia em sua terra natal.
Os reféns foram libertados ilesos no dia seguinte num acordo que permitiu que os dissidentes ficassem livres, o que irritou o regime militar de Mianmá.

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