Moscou, 21 (AE-ANSA) - Enquanto a artilharia russa intensificava o bombardeio de Grozny, o comando rebelde checheno informava que o general russo capturado pelos separatistas terça-feira não só está vivo como "confessou" ter recebido ordens expressas de Moscou para concluir a invasão de Grozny até 26 de fevereiro. Segundo o Exército russo, o general Mikhail Malofeyev "desapareceu em combate" em Staropromyslovski, um bairro da capital chechena. Mas o Ministério do Interior russo confirmou a detenção dele pelos separatistas.
Citando "testemunhas oculares", a agência Itar-tass ressaltou que Malofeyev, de 44 anos, casado e pai de dois filhos
foi ferido a tiros pelos guerrilheiros antes de ser capturado.
Segundo a agência rebelde Kavkaz-tsentr, o militar russo foi levado para o QG dos separatistas nas montanhas, onde é submetido a "intenso interrogatório", que está sendo gravado em vídeo.
A notícia da prisão do general foi recebida com incredulidade na capital russa. Ninguém consegue entender o que Malofeyev, estrategista da ofensiva sobre Grozny, estava fazendo na frente de combate. O comando das Forças Armadas russas mantém sigilo sobre essa questão.
Mas, segundo a agência noticiosa rebelde, Maloseyev contou durante o interrogatório que seus superiores ameaçavam levá-lo a um tribunal militar caso não conseguisse tomar a cidade. "Ele confessou ainda que as tropas de assalto russas estão desmoralizadas pela grande resistência imposta pelos chechenos a seu avanço."
Referindo-se ao destino do general capturado, a agência assegura que os separatistas não pensam numa eventual "troca" por prisioneiros chechenos dos russos. "O futuro do general será decidido pelo comando checheno, após avaliação do interrogatório."
No cenário do conflito, a artilharia russa despejou milhares de granadas e foguetes sobre Grozny, enquanto as tropas continuavam seu moroso avanço sobre a cidade, lutando de casa em casa contra os rebeldes. O número de baixas de ambos os lados é elevado. Hoje, a imprensa russa exigiu, pela primeira vez desde a retomada do conflito em outubro, a publicação diária de uma "lista confiável" de vítimas da guerra. Dados oficiosos do Exército indicam 108 mortos em seis dias de ofensiva - 23 soldados e 85 guerrilheiros. Segundo comunicado dos rebeldes, morreram 45 separatistas e 2 mil soldados.
Na capital russa, o presidente interino Vladimir Putin desmentiu rumores sobre a imposição de uma ditadura ao país, mas advertiu que os "terroristas chechenos" preparam uma nova série de atentados a bomba na Rússia. Putin debateu a crise chechena com o ministro das Relações Exteriores alemão, Joscka Fischer. Pouco antes, havia expulsado do país seis diplomatas poloneses, em represália a idêntica medida adotada pela Polônia contra diplomatas russos, acusados de espionagem.

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