Rebelados suspendem negociação
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segunda-feira, 21 de abril de 1997
Agência Folha 
PRAIA GRANDE - A rebelião dos presos da Cadeia Pública da Vila Mirim, o chamado Cadeião de Praia Grande (litoral de São Paulo), completou às 18 horas de ontem 31 horas de duração. Às 17 horas, o delegado Oswaldo Gonçalves anunciou que as negociações tinham sido interrompidas pelos próprios rebelados e que seriam retomadas somente na manhã de hoje.
Os corpos dos dois presos mortos pelos rebelados - Roberto José da Silva, acusado de estupro, e Francisco Ferreira Hurtado, suposto informante da polícia - foram removidos na noite de anteontem. Ambos estavam no seguro, cela onde ficam os detentos ameaçados de morte. Quatro carcereiros são mantidos como reféns desde as 11 horas de anteontem. A cadeia possui 512 vagas e ontem abrigava 502 detentos.
Uma equipe do Grupo Especial de Resgate da Polícia Civil (GER), comandada pelos delegados Fábio Dal Mas e Oswaldo Gonçalves, fazia a negociação com os presos. A principal reivindicação dos rebelados é a remoção de 150 presos, parte com direito a regime semi-aberto e outra parte de condenados pela Justiça. A cadeia deveria receber somente presos à espera de julgamento, mas muitos foram condenados e não removidos por falta de vagas em outros estabelecimentos.
Os detentos querem também a mudança do dia da visita (de quarta para sábado ou domingo), a instalação de uma cobertura para receber visitas no pátio, assistência jurídica e médica (principalmente para aidéticos) e construção de um centro esportivo. O delegado Fábio Dal Mas disse que a dificuldade para alcançar uma solução é a indefinição dos presos. Eles não conseguem chegar a um consenso sobre o que querem.


