Rebelados da CCM liberam dois reféns
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Celso Felizardo<br> Enviado a Maringá 
Maringá A rebelião de presos da Casa de Custódia de Maringá, no limite com Paiçandu, completou 30 horas no início da noite de ontem e se encaminhou para o terceiro dia sem previsão de acabar. Por volta das 18h30, o terceiro dos sete agentes rendidos foi liberado sem ferimentos. O quarto refém foi solto por volta das 21 horas. Os outros dois agentes haviam sido liberados entre a noite de segunda-feira e a madrugada de ontem. O primeiro a ser solto sofreu perfurações por estoques, mas passa bem.
Houve momentos de tensão ontem às 20h50, quando um grupo de aproximadamente 50 mulheres, parentes dos detentos, rompeu o cordão de isolamento e com cartazes ameaçou invadir a unidade se não tivesse notícias. A situação foi tranquilizada quando o comandante do 4º BPM, tenente-coronel Antônio Roberto Padilha, passou informações ao grupo de que não havia feridos dentro do presídio.
No final da tarde de ontem, o secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, passou a coordenar pessoalmente as negociações, que eram conduzidas desde a noite de segunda-feira pelo subcomandante geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Nerino Mariano de Brito. Durante todo o tempo do motim, os negociadores da PM mantiveram diálogo com os rebelados para pôr fim à rebelião. Desde segunda-feira, a responsabilidade pelas unidades prisionais do Estado passou da Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) para a Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
Sob sol forte, os familiares dos detentos aguardavam por notícias que chegavam por meio dos porta-vozes da Polícia Militar. Com as negociações emperradas, os militares apenas relatavam que a situação, que estava tensa nas primeiras horas, seguia mais tranquila. Das quatro alas da unidade prisional, apenas a de número 3 foi tomada pelos presos. A PM estimou que, do grupo de 200 detentos do setor, cerca de 80 estavam efetivamente rebelados.
Depois de reivindicações de melhorias no setor administrativo, como assistência jurídica e social, alimentação melhor e o fim de hostilidade com as visitas, alguns presos pediram transferências para outras unidades do Estado. De acordo com o porta-voz da PM, tenente Cláudio Rocha, as transferências estavam impossibilitadas pelo recesso do Judiciário, que prossegue até a próxima segunda-feira. Ele também mencionou o decreto do governo Beto Richa (PSDB), de outubro deste ano, que proíbe as transferências de presos durante rebeliões no Estado.
Rocha contou que os presos chegaram a fazer um buraco na laje da galeria para ganhar o telhado, mas foram impedidos a tempo. "A situação ficou mais confortável a partir do momento que conseguimos evitar que toda a prisão fosse tomada", explicou. A carceragem abriga 636 pessoas, abaixo da capacidade de 654 vagas.
Entre os familiares dos presos, que improvisavam tendas com cobertores para se abrigar do sol, as opiniões eram divergentes. Alguns, mais agitados, defendiam o motim ao relatar péssimas condições de tratamento na unidade, o que inclui comida azeda e desrespeito por parte dos agentes. Exaltados, chegaram a soltar rojões e bombas próximo às equipes da PM em frente à Casa de Custódia.
Outro grupo, mais moderado, contou que o clima estava tranquilo dentro da prisão e disse não entender o motivo da rebelião.
"Estragaram o fim de ano deles e o nosso. Já tinha até comprado uma carne para assar pro meu filho. Agora, certeza que não vou poder entregar. Não precisava disso", lamentou uma dona de casa de 48 anos, mãe de um preso.


