Recife, 30 (AE) - Cerca de 200 reassentados desocuparam o escritório da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf)em Jatobá (PE) e libertaram os 30 funcionários da empresa mantidos como reféns. O acordo foi fechado às 23h30 de ontem (29) com a direção da empresas após quase 40 horas de ocupação. Os manifestantes viviam em áreas ocupadas pelo lago da Hidrelétrica de Itaparica e reivindicam a execução de projetos de irrigação.
No dia 12 de fevereiro haverá uma reunião entre os reassentados e a empresa para discutir o destino de 600 famílias de quatro municípios do sertão do São Francisco - Glória e Rodelas (BA), Petrolândia e Jatobá (PE) - que não aceitaram indenização da Chesf e continuam exigindo a conclusão de projetos de irrigação prometidos pela Chesf, desde 1986, nas agrovilas. Apesar do acordo, a Chesf vai entrar com uma ação criminal contra os líderes do movimento.
A construção da Usina Hidrelétrica de Itaparica, iniciada em 1979, provocou o reassentamento de 40 mil famílias que moravam na área atingida pelo lago, margens do Rio São Francisco, na Bahia e Pernambuco. Das 5.900 famílias da área rural, quase 1.800 ainda não produzem em razão da falta de irrigação. Destas 1.200 aceitaram, em dezembro, uma indenização ( R$ 30 mil a R$ 40 mil), desistindo dos projetos. As 600 restantes exigem que os projetos de irrigação sejam concluídos.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Glória, Nildo José Silva, o resultado do movimento foi positivo porque consolidou um compromisso da Chesf. Para o assessor da presidência da empresa, Adelson Ferraz, a ocupação do escritório não teve sentido pois a Chesf já se dispunha a fazer o que os reassentados reivindicam.

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