Reaprendendo a reciclar
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A próxima semana será de retomada de um dever de casa que, a contragosto, muitos londrinenses deixaram de lado nos últimos meses. Com a assinatura de contrato, na última sexta-feira, entre a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e a Ecosystem Serviços Urbanos Ltda., de São José dos Pinhais, os serviços de coleta e transbordo do lixo reciclável serão retomados em 55 mil residências e condomínios de várias regiões da cidade. A contratação do serviço só foi possível depois que o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná cassou liminar que proibia a Ecosystem de firmar contrato com o poder público.
A empresa tem prazo de 30 dias para iniciar a coleta, mas, pela urgência, deve começar já a partir da próxima segunda-feira. De acordo com a CMTU, entre ontem e hoje está sendo definido o calendário de coleta, de acordo com o bairro. Cada região deverá receber o serviço uma vez por semana. Nos próximos dias o calendário será divulgado à população.
Além da Ecosystem, continuarão responsáveis pela coleta e transbordo dos recicláveis a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Londrina (Coopersil) e Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon). Juntas, empresa e cooperativas deverão cobrir 100% do município com a coleta seletiva.
A normalização do serviço será um alívio para quem vinha convivendo com o acúmulo de embalagens, papéis, plásticos, garrafas e outros materiais no quintal. ''Fico indignada com o que está acontecendo. Me recuso a misturar os resíduos orgânicos aos recicláveis, por isso estou acumulando lixo em casa. É um retrocesso. Fala-se tanto na preservação do meio ambiente, mas, na prática, não funciona. Estamos enfrentando problemas há vários meses, porém ultimamente a coisa se agravou'', desabafou na semana passada a secretária Cristina Eliane Jans. Ela mora a uma quadra da sede da CMTU e já não sabe mais o que fazer para conseguir que o lixo do condomínio onde mora seja recolhido.
Perto dali, na Rua Raposo Tavares, a vice-síndica de outro condomínio, Elizete Rosane Jorge, relatou a via sacra enfrentada. ''Fui inúmeras vezes à CMTU para protocolar requerimentos com pedidos de coleta. Por sugestão da própria companhia chegamos a pagar frete para transportar ao barracão de uma cooperativa de recicladores. Temos feito de tudo para evitar que os diferentes resíduos sejam misturados, mas está difícil'', contou.
Segundo o diretor de Operações da CMTU, Luciano Borrozzino, a Ecosystem vai operar em Londrina com um caminhão e cinco funcionários, atendendo cerca de 10 mil residências por dia. Os resíduos recolhidos serão levados para os barracões da Cooperativa Central de Pesagem e Vendas (Coocepeve), que se encarregará da triagem e venda do material.
De acordo com a assessoria da CMTU, o edital do contrato entre município e Ecosystem - que venceu a concorrência, mas vinha sendo impedida liminarmente de assinar contrato com a CMTU por causa de um débito trabalhista - prevê a realização de nova campanha de educação ambiental. Em reportagens recentes, a FOLHA constatou que em várias residências e condomínios os diferentes tipos de resíduos vinham sendo misturados, como estratégia para garantir o recolhimento.
A prática abrevia a vida útil da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) e prejudica a cadeia produtiva que se abastece da reciclagem de materiais. ''Este mercado é tradicionalmente instável, mas de uns dois meses para cá diminuiu bem o volume de material entregue pelas cooperativas. Se tivesse mais oferta eu compraria, porque tudo o que processamos nós vendemos'', informa Rodolfo Lombarde, sócio gerente da Plásticos Brasilon, uma das poucas empresas londrinenses que se mantiveram no setor de reciclagem.
Muito a melhorar
Atualmente a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema) tenta traçar um raio-x da coleta seletiva no Paraná e propor soluções, por meio do Plano de Regionalização dos Resíduos Sólidos, que será lançado nos próximos dias, e do Plano Estadual dos Resíduos Sólidos, que ainda depende de aprovação do Ministério do Meio Ambiente. Segundo o coordenador da área de Saneamento Básico do órgão, Eduardo Gobbi, até agora 290 (ou 72%) dos 399 municípios do Estado já responderam a um questionário sobre o assunto.
''Destes 290, menos da metade - 45% - pesa o lixo e tem noção de quanto produz'', informa Gobbi. O coordenador revela que a maioria dos municípios que forneceram as informações à Sema (210) disseram ter coleta seletiva. Em 46% destes o serviço é realizado pela prefeitura e em 54% por terceiros. ''Ainda é preciso melhorar muito'', resume Gobbi.


