Reali vai mover ação de Covas contra Calheiros
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quinta-feira, 22 de julho de 1999
Por Fred Ferreira (especial para a AE) 
São Paulo, 23 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) vai interpelar judicialmente o ex-ministro da Justiça Renan Calheiros sobre suas supostas acusações de que o governador paulista teria tentado pressionar o Ministério da Justiça para beneficiar um consórcio que participava de concorrência pública para confecção de passaportes - orçada em R$ 136 milhões. O advogado Miguel Reali Júnior será o responsável pela interpelação contra Calheiros.
A polêmica surgiu porque o consórcio SINAG - que ganhou o processo de licitação da confecção de passaportes - era formado pela Siemens, da Alemanha, em conjunto com a empresa brasileira Tejofran de Saneamento e Serviços, de propriedade de Antônio Dias Felipe, amigo pessoal de Covas e padrinho de casamento do filho do governador paulista.
O SINAG ganhou a concorrência pública mas o ex-ministro da Justiça Calheiros cancelou em março, "estranhamente", segundo a Tejofran, o processo de licitação para fornecimento dos passaportes.
"O consórcio ganhou limpamente a concorrência pública, mas houve uma demora muito grande entre o edital e a divulgação do resultado da licitação", afirmou Lelinaldo Marques, executivo da empresa. Ele contou que em razão da "demora" e da crise cambial, um grupo do consórcio SINAG teve diversas "conversas técnicas com o pessoal da Polícia Federal", órgão responsável pelos passaportes e subordinado ao Ministério da Justiça.
"O consórcio insistiu em colocar a situação como um problema", afirmou Marques. Segundo ele, a preocupação do consórcio era com a diferença dos preços dos materiais, em razão da desvalorizção cambial. "90% do material era importado." Marques garantiu, entretanto, que o ex-ministro Renan Calheiros não participou de nenhuma dessas reuniões. A Tejofran, acionista minoritária do consórcio com 18% de participação, nega que tenha pressionado Calheiros para efetivação do contrato a pedido do filho de Covas. "Tenho certeza de que o Covas não sabe de nada e que nunca poderia nem teria interferido no processo de licitação", garantiu o executivo da Tejofran. A empresa do amigo do governador contribuiu para a campanha de Covas com R$ 100 mil - as doações foram feitas em 17 de agosto.
Na semana passada, o governador de São Paulo afirmou em Alambari que iria processar o ex-ministro sobre as supostas acusações de que teria tentado beneficiar financiadores de sua campanha na licitação dos passaportes. "Quero ver se alguém assume a acusação; quero que alguém assuma pois eu vou processar", avisou Covas, afirmando que as denúncias são "completamente falsas".
O governador afirmou duvidar que o ex-ministro faria publicamente qualquer denúncia contra ele. "Colocar palavras na boca de assessores é uma forma fácil de agredir sem correr riscos", disse Covas.


