Real faz vendas de exportadoras caírem 50%
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Mônica Venson Especial para o Ponte 
Ney de Souza
Negócio parado
Lojas abandonadas, depredadas ou vazias. Este é o retrato da Vila Portes, bairro de Foz do Iguaçu, perto da Ponte da Amizade, que concentra o maior número de exportadoras. Desde a implantação do Plano Real, a quebra do setor de exportação foi inevitável.
O montante de vendas já caiu 50% nos últimos 3 anos. O setor enfrenta uma taxa de desemprego em torno de 30%. A expectativa era de que com uma desvalorização do real, as coisas melhorassem, mas não foi este o resultado.
Desde o início deste ano, o valor do dólar superou o real. Entretanto, o saldo da balança comercial está em déficit - de janeiro a março de 97 o valor acumulado da exportações ficou em R$ 243,5 milhões, enquanto o valor das importações chegou a R$ 351,7 milhões.
Esta situação reflete a realidade da economia brasileira, que não consegue estabilizar a balança comercial. Na região de Foz do Iguaçu, a situação se reflete no chamado comércio formiguinha. Paraguaios compram os produtos e os transportam em pequena quantidade.
O número de clientes paraguaios caiu aproximadamente 80%, relata Paulo Cheng, dono de uma exportadora na Vila Portes. Se há três anos vendiamos aproximadamente R$ 10 mil reais por dia, hoje o valor não chega a R$ 2 mil.
Paulo conta que desde que chegou em Foz, há 15 anos atrás, nunca viu crise igual. Ele tinha três exportadoras que atendiam principalmente o pequeno comerciante paraguaio. Hoje só restou uma delas e a situação não está nada boa. A gente tem que se virar em quatro para manter a loja aberta, os preços estão muito altos, ninguém tem mais dinheiro, completa o comerciante.


