São Paulo, 25 (AE) - O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo, disse hoje que os reajustes dos combustíveis e das tarifas públicas devem reduzir a demanda por outros segmentos e dificultar a recuperação da economia no segundo semestre. Segundo Heron, as tarifas não são impostos, mas funcionam como tal, porque as pessoas não podem deixar de consumir esses produtos.
O coordenador da Fipe disse, no entanto, que não há espaço para o repasse de reajustes para o consumidor, porque o poder aquisitivo da população está cada vez menor e o desemprego muito alto. "O setor privado que tentar repassar preços vai ter queda de vendas", afirma o economista. Ele diz, porém, que o governo pode compensar essa retração com a continuidade da política de redução dos juros.
De acordo com Heron, até mesmo o aumento dos combustíveis, de cerca de 10% para o consumidor, será pressionado pelo atual quadro recessivo da economia. Heron acredita que o reajuste será aplicado num primeiro momento, mas depois terá que recuar por causa da concorrência entre os revendedores de combustíveis. A falta de espaço para reajustes de preços pode ser notado no próprio caso dos combustíveis. Durante o ano, o governo já autorizou reajustes de quase 50%, mas segundo dados da Fipe, de janeiro até agora a gasolina subiu 16,18%, o gás de cozinha aumentou 18,33% e o álcool caiu 20%.
Entretanto, o economista da Fipe disse que o mês de julho deverá sofrer a maior pressão dos reajustes de tarifas e combustíveis. Com isso, Heron reviu hoje a previsão de inflação para o próximo mês, que deverá ficar positiva em 0,70%, contrariando estimativa anterior que apontava índice em torno de zero. Este mês deve fechar com índice negativo de 0,10%.
Mesmo assim, o primeiro semestre deverá fechar o período com inflação de 2,49%, o que pode significar um índice inferior ao projetado para o segundo semestre. De acordo com previsão da Fipe, a inflação anual deverá ficar entre 5% e 6%, apesar dos aumentos dos combustíveis e se não houver nenhum contratempo em relação aos produtos agrícolas, como a ocorrência de geadas. Segundo ele, é uma surpresa o fato de que mesmo com a desvalorização cambial a inflação do primeiro semestre possa ficar menor do que a da segunda metade do ano.

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