Rio, 9 (AE) - Os sucessivos aumentos de combustíveis já começam a pressionar mais fortemente os índices de inflação. A inflação de agosto medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) deverá ficar em torno de 1,5%, segundo previsão da equipe técnica da Fundação Getúlio Vargas, repetindo o crescimento do mês passado, que foi de 1,55%.
A primeira prévia do IGPM, divulgada hoje, mostrou que a variação de preço da gasolina nos postos alcançou 14% no período de 21 a 31 de julho. Este ainda é o reflexo do aumento autorizado em junho nas refinarias. A inflação de agosto, segundo técnicos da Fundação Getúlio Vargas, deve sofrer influência do resíduo daquele mês acrescida do impacto do reajuste do último sábado.
O IGPM acumulou alta de 0,9% na primeira prévia e todos os itens que compõem a taxa tiveram variação positiva: o Índice de Preços por Atacada (IPA) alcançou 0,98%; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), 0,96%, e o Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), 0,32%.
O chefe do Centro de Estudo de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, comentou que já está sendo observada uma mudança de comportamento tanto na indústria quanto no varejo. Estes setores
que estavam absorvendo boa parte do aumento de custos, já estão repassando - em alguns casos quase integralmente - a alta para os preços. Isto deve contribuir para elevar a inflação.
"No último levantamento estávamos projetando uma inflação anual entre 8% e 10% para o consumidor", diz Cota. Agora, os técnicos estão trabalhando com taxas mais próximas do maior porcentual, mas, segundo ele, ainda não há como saber se a inflação permanecerá em um dígito ou se passará deste patamar.
Cota acredita que tanto o comércio quanto a indústria estão "testando o mercado" para saber até que nível pode haver repasse. "Eles comprimiram as margens por algum tempo, mas estão num ponto em que não dá mais para segurar os aumentos", explicou.
Normalmente, neste período do ano é até comum que se verifique deflação, mas não será isto o que vai ocorrer em agosto. "Os maiores propulsores da inflação serão as tarifas", diz Cota.
Ele comentou que as últimas medições estão "surpreendendo negativamente" à medida que vêm sendo constatados repasses quase integrais, como os dos combustíveis, especialmente em São Paulo.

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