Rio, 08 (AE) - A decisão do governo de dividir o reajuste da tarifa de energia vai evitar expectativas negativas sobre a inflação, segundo economistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), instituições especializadas no cálculo do custo de vida. "O melhor é escalonar esses aumentos", argumentou o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sidney Cota.
"A concentração em um período curto poderia afetar as expectativas e provocar uma onda de pequenos reajustes", afirmou o economista, responsável pelo cálculo do Índice Geral de Preços (IGP) da FGV. Para a gerente do Sistema Nacional de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, o aumento de uma vez só, embora já estivesse programado, poderia provocar o temor de repiques inflacionários. "E não vai ser o caso, porque este aumento vai ter começo, meio e fim", lembrou Eulina. Ela acrescentou que também não há espaço para que o aumento seja repassado para outros preços, como acontecia na época de inflação alta na economia.
Caso o reajuste mínimo da energia seja de 15%, e dividido em partes iguais, o maior peso do aumento no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE acontecerá em agosto, calculou Eulina. Em julho, a influência no INPC seria de 0,11 ponto percentual, e no mês seguinte, que também seria influenciado por um quarto do índice de julho, ficaria em 0,22 ponto percentual. O efeito da segunda parcela também contribuiria com 0,7 ponto percentual no cálculo da inflação de setembro, afirmou Eulina.
Para Cota, os aumentos previstos nos preços controlados pelo governo vão elevar em 0,73 ponto percentual a inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGPDI) deste ano. O economista da FGV afirmou que o reajuste da tarifa de energia vai pressionar o IGPDI anual em 0,36 ponto percentual.
Outros reajustes - O impacto do aumento das tarifas telefônicas será de 0,16 ponto percentual, calculou o chefe do Centro de Estudos de Preços. O reajuste do álcool combustível, segundo Cota, é o mais complicado de ser estimado, pois tem influência também no preço da gasolina.
Se for confirmado a previsão de alta de 50% no preço do álcool combustível, o IGP-DI será pressionado em dois outros índices usados para a sua elaboração. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) deve subir 0,38 ponto percentual e o Índice de Preços por Atacado (IPA), 0,47 ponto percentual. A gasolina, que recebe 24% de adição de álcool, vai pressionar o IPC em 0,24 ponto percentual e o IPA em 0,13 ponto percentual.
Cota afirmou que alguns itens como vestuário, educação e seguro saúde, que pressionaram a inflação no primeiro semestre não vão pesar tanto nos últimos seis meses do ano. As liquidações da coleção outono-inverno começam em agosto, os gastos com educação são maiores em fevereiro e março e os reajustes nos planos de saúde terminam em junho.

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